ECONOMIA

CNI aponta juros altos como principal obstáculo para crédito em 80% das indústrias

Pesquisa revela que exigência de garantias e falta de linhas adequadas também dificultam acesso ao crédito para o setor industrial

Publicado em 19/01/2026 às 12:08
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Oito em cada dez empresas industriais que enfrentaram dificuldades para obter crédito de curto ou médio prazo apontam os juros elevados como o principal obstáculo ao acesso. Os dados fazem parte de pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

O nível dos juros foi citado por 80% dos respondentes como maior entrave. Em seguida, aparecem a exigência de garantias reais, como bens móveis ou imóveis (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).

No crédito de longo prazo, acima de cinco anos, a ordem dos fatores percebidos como entraves permanece: juros altos foram mencionados por 71% dos empresários, a exigência de garantias reais por 31% e a falta de linhas de crédito adequadas por 17%.

A pesquisa ouviu 1.783 empresas industriais — sendo 439 grandes, 637 médias e 713 pequenas — entre 1º e 12 de agosto de 2025.

Demanda

Segundo o levantamento, de fevereiro a julho de 2025, 54% das empresas não buscaram contratar ou renovar crédito de longo prazo, enquanto apenas 17% realizaram contratações ou renovações. Para crédito de curto e médio prazo, as proporções são de 49% e 26%, respectivamente, no mesmo período.

Quase um terço das empresas industriais que tentaram contratar ou renovar crédito de longo prazo não obteve sucesso. No caso do crédito de curto e médio prazo, cerca de 20% das empresas não conseguiram contratar ou renovar.

A maioria das empresas que renovaram suas linhas de crédito avaliou que as condições de acesso — como juros, número de parcelas, período de carência e exigência de garantias — permaneceram estáveis, com 47% indicando que não houve melhora nem piora, tanto para curto e médio quanto para longo prazo.

Entre as empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo, 35% afirmaram que as condições pioraram entre fevereiro e julho, enquanto 14% perceberam melhora. No longo prazo, 33% notaram piora nas condições e 12% relataram melhora.

Somente 13% das empresas industriais declararam ter contratado alguma operação de risco sacado nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outras 5% pretendiam contratar nos 12 meses seguintes. Por outro lado, 54% afirmaram não ter contratado nem pretender contratar esse tipo de operação, enquanto 29% não souberam ou não quiseram responder.