Exército chinês precisa se adaptar à vigilância dos EUA e Japão, apontam analistas
Especialistas sugerem que China abandone postura discreta e desenvolva estratégias para operar sob monitoramento intenso de potências ocidentais.
As atividades do Exército chinês no Estreito de Taiwan estão sob vigilância rigorosa dos Estados Unidos e do Japão. Por isso, a China precisa desenvolver formas de agir com eficácia, mesmo ciente de que suas ações são monitoradas, segundo o jornal South China Morning Post, que ouviu analistas sobre o tema.
De acordo com especialistas, após a resposta rápida aos recentes exercícios militares em torno de Taiwan, o Exército de Libertação Popular (ELP) da China deve abandonar a postura discreta e concentrar esforços em operar eficientemente sob o olhar atento dos EUA e do Japão.
"O Exército de Libertação Popular chinês deve abandonar seu desejo de evitar a detecção e aceitar que qualquer grande destacamento de tropas será descoberto, dada a escala das atividades de inteligência dos EUA e do Japão na área", destaca o material.
Os analistas defendem que o planejamento operacional do ELP deve mudar o foco de mascarar implantações e recursos operacionais para priorizar a eficácia das tarefas militares. Isso pode ser alcançado por meio de "manobras eficientes, controle abrangente de informações e estabilidade sistêmica", afirma o texto.
Como exemplo, radares avançados dos EUA, como o AN/ZPY-3 utilizado no drone MQ-4C, e canais de dados militares podem ser neutralizados com sistemas integrados de guerra eletrônica capazes de escanear, controlar, suprimir e enganar alvos inimigos.
Entre outros métodos de contrainteligência, os especialistas citam operações de informação para confundir o inimigo, além de supressão eletrônica e interceptação de boias hidroacústicas — dispositivos lançados de aeronaves para guerra antissubmarino.
Yue Gang, observador militar e coronel aposentado do ELP, afirmou que o Exército pode "criar obstáculos" à coleta de informações por meio do efeito surpresa. Ele também mencionou a capacidade do Exército chinês, em caso de conflito, de atacar satélites dos EUA para combater operações de inteligência.
Os exercícios Missão de Justiça 2025, realizados pelo ELP no mês passado, ocorreram pouco depois de os Estados Unidos aprovarem uma venda de armas a Taiwan no valor de US$ 11,1 bilhões (R$ 59,59 bilhões), o maior acordo do tipo já registrado.
Por Sputnik Brasil