MERCADO FINANCEIRO

Dólar opera com viés de alta em meio a tensões entre EUA e Europa e queda das commodities

Moeda americana reflete cenário externo conturbado, liquidez reduzida por feriado nos EUA e ajustes após realização de lucros.

Publicado em 19/01/2026 às 09:40
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O dólar iniciou a semana com leve viés de alta no mercado à vista, acompanhando a valorização da moeda americana frente a outras divisas emergentes ligadas a commodities, em um contexto de aumento dos riscos geopolíticos entre Estados Unidos, Groenlândia e Europa, além da queda nos preços do petróleo e do minério de ferro. Apesar desse cenário, movimentos de realização de lucros e ajustes, aliados à liquidez reduzida pelo feriado nos EUA, influenciaram a cotação.

Por volta das 9h30 desta segunda-feira (19), o dólar à vista subia 0,02%, cotado a R$ 5,3739, após atingir máxima intradia de R$ 5,3819 (+0,17%) e mínima de R$ 5,3704 (-0,04%).

O presidente americano, Donald Trump, anunciou novas tarifas contra países europeus para pressionar um acordo envolvendo a compra da Groenlândia. As alíquotas serão de 10% a partir de fevereiro de 2026 e podem chegar a 25% em junho, caso não haja avanços nas negociações.

A União Europeia, por sua vez, informou que não há reunião prevista entre Ursula von der Leyen e Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta semana. Bruxelas afirmou priorizar o diálogo para conter as tensões, mas avalia possíveis retaliações às novas ameaças tarifárias dos EUA relacionadas à Groenlândia.

A liquidez do mercado segue limitada pelo feriado nos Estados Unidos. Investidores também monitoram dados de inflação no Brasil.

Segundo o Boletim Focus, a mediana das projeções para a inflação suavizada nos próximos 12 meses permaneceu em 4,04%. Há um mês, estava em 3,99%. Para o IPCA de 2026, a mediana recuou de 4,05% para 4,02%, abaixo do teto da meta, enquanto para 2027 a expectativa segue estável em 3,80%.

O IPC-Fipe desacelerou para 0,35% na segunda quadrissemana de janeiro, mas o coordenador do índice, Guilherme Moreira, recomenda cautela, já que a maioria dos grupos apresentou aceleração. Transportes e Educação continuam pressionando, com destaque para o aumento dos preços da gasolina e do etanol.

O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal, calculado pela FGV, acelerou em quatro das sete capitais pesquisadas na segunda quadrissemana de janeiro.

No radar dos investidores está uma entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao UOL News, prevista para as 10h.

Em Davos, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, representa o governo brasileiro no Fórum Econômico Mundial. O setor privado do Brasil marca presença com executivos de bancos e grandes empresas.

Na sexta-feira (16), o dólar à vista fechou em R$ 5,3726 (+0,08%), acumulando alta de 0,13% na semana, mas ainda registra queda de 2,12% ante o real em 2026, favorecido pelo diferencial de juros do Brasil.