ECONOMIA MUNDIAL

FMI revisa para cima previsão do PIB global em 2026, mas alerta para riscos e desaceleração em 2027

Relatório aponta que avanços em tecnologia e IA sustentam crescimento, mas incertezas e tensões geopolíticas preocupam

Publicado em 19/01/2026 às 07:09
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2026, estimando uma expansão de 3,3%. Apesar do otimismo, a instituição destaca múltiplos riscos que podem afetar o desempenho da economia mundial, prevendo uma leve desaceleração para 3,2% em 2027. Os dados fazem parte da atualização trimestral do relatório de Perspectivas Econômicas Globais, divulgada nesta segunda-feira (19).

Em outubro, a previsão para o crescimento global em 2026 era de 3,1%. Com a revisão, o FMI mantém a expectativa de estabilidade em relação a 2025, cuja estimativa permaneceu em 3,3%.

Segundo o relatório, "os ventos contrários provocados por mudanças em políticas comerciais foram compensados pelo avanço dos investimentos em tecnologia e inteligência artificial (IA), além do suporte fiscal e monetário, condições financeiras amplamente acomodatícias e a adaptabilidade do setor privado".

O FMI ressalta que os investimentos em tecnologia podem continuar impulsionando o crescimento global em 2026, dependendo da velocidade de adoção da IA pelos países. No melhor cenário, o avanço do PIB pode ser ampliado em até 0,3 ponto percentual (p.p.) neste ano e entre 0,1 p.p. a 0,8 p.p. no médio prazo.

Correção em IA é risco

Por outro lado, o relatório alerta que uma eventual correção na valorização da IA nos mercados acionários e o consequente aperto das condições financeiras podem reduzir o PIB global em até 0,4%, caso investidores reavaliem suas expectativas de aumento de produtividade com a tecnologia.

Entre outros riscos apontados pelo FMI estão as tensões geopolíticas e comerciais, o aumento das incertezas na economia global, efeitos em cascata sobre mercados financeiros, cadeias de oferta e preços de commodities, além de maiores déficits fiscais e pressões sobre rendimentos de longo prazo. Para mitigar esses riscos, o Fundo recomenda políticas para restaurar o espaço fiscal, preservar preços e a estabilidade financeira, além de implementar reformas estruturais visando o crescimento econômico no médio prazo.

O FMI observa ainda que as incertezas políticas seguem em patamar elevado em comparação a janeiro de 2025, embora tenham diminuído em relação a outubro. As condições financeiras tiveram poucas alterações, apesar de "alguma volatilidade" e do aumento dos rendimentos soberanos. No câmbio, o dólar apresentou leve recuperação, mas voltou a ser pressionado após o início de investigações contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell.