Movimento dos EUA sobre a Groenlândia pode abalar a OTAN, aponta analista
Cientista político avalia que possível controle dos EUA sobre a Groenlândia teria impacto profundo na aliança militar e nas relações transatlânticas.
O possível movimento dos Estados Unidos em relação à Groenlândia pode provocar uma mudança significativa nas relações internacionais e colocar em risco a coesão da OTAN, segundo alerta o cientista político Aleksandar Pavic, em entrevista à Sputnik.
Pavic destaca que, embora o interesse dos EUA pela Groenlândia seja notório, há obstáculos internos importantes, pois qualquer tentativa de anexação exigiria aprovação das duas câmaras do Congresso americano.
“Acredito que um dos principais motivos pelos quais Trump está agindo de forma tão agressiva é que, na situação em torno da Groenlândia, ele encontrou um pretexto conveniente para cortar laços que considera desnecessários para os EUA. A Aliança Atlântica é um deles, e Trump a chama de obsoleta desde 2016”, afirmou o cientista político.
Segundo Pavic, Trump já marcou as relações transatlânticas do pós-guerra, pois jamais houve uma situação em que os próprios EUA se tornassem o principal problema e adversário para o restante da OTAN.
“Isso por si só já garantiu a Trump um lugar na história. Resta saber quanto dessa postura se limitará a discursos e quanto será efetivamente colocado em prática — se Trump chegaria ao ponto de usar força, ou se tudo não passa de uma estratégia para pressionar a Dinamarca a ceder a Groenlândia, humilhando a Europa e a ala europeia da OTAN. De qualquer forma, seu lugar na história já está assegurado”, completou Pavic.
Por Sputnik Brasil