PALEOANTROPOLOGIA

Cientistas extraem DNA de rinoceronte-lanoso encontrado em estômago de lobo pré-histórico

Descoberta inédita revela que extinção do rinoceronte-lanoso foi rápida e relacionada a mudanças climáticas, não à caça humana.

Por Sputnik Brasil Publicado em 18/01/2026 às 07:45
Fragmento de rinoceronte-lanoso foi encontrado preservado no estômago de um lobo do permafrost siberiano. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, conseguiram extrair o genoma completo de um rinoceronte-lanoso a partir de um fragmento de carne preservado no estômago de uma cria de lobo congelada.

O sequenciamento do DNA revelou que a espécie de rinoceronte-lanoso desapareceu de forma abrupta, provavelmente em razão do rápido aquecimento do clima. Os resultados do estudo foram publicados na revista Genome Biology and Evolution (GBE).

O tecido do rinoceronte-lanoso foi identificado durante a autópsia de um lobo mumificado, encontrado no permafrost da Sibéria em 2011. A análise de radiocarbono indicou que os restos tinham cerca de 14.400 anos, sugerindo que o animal consumido era um dos últimos representantes da espécie.

Pela primeira vez, cientistas conseguiram obter um genoma animal completo da Idade do Gelo a partir de restos não digeridos presentes no estômago de outro animal. O genoma desse rinoceronte foi comparado com o de dois espécimes mais antigos, datados de aproximadamente 18 mil e 49 mil anos.

A análise apontou níveis semelhantes de endogamia e diversidade genética entre os três indivíduos, indicando uma população relativamente estável de rinocerontes-lanosos no nordeste da Sibéria até sua extinção, sem sinais de degeneração genética prolongada. Assim, a extinção ocorreu de maneira rápida, e não por um declínio populacional gradual.

De acordo com os autores do estudo, os dados obtidos refutam a hipótese de que a caça humana teria sido o fator decisivo para o desaparecimento dos rinocerontes-lanosos. A espécie persistiu na região por pelo menos 15 mil anos após a chegada dos humanos.

A extinção da espécie coincidiu com um intenso aquecimento climático ao final da última era glacial, durante o período de transição conhecido como Máximo Tardiglaciar. Os cientistas sugerem que a rápida alteração do clima levou à perda da vegetação da qual esses herbívoros dependiam, sendo essa uma das principais causas para a extinção.