EUA e Israel exploram protestos no Irã para favorecer seus próprios interesses, aponta especialista
Segundo Vasily Kuznetsov, fatores internos impulsionam as manifestações, mas potências estrangeiras aproveitam o contexto para avançar agendas geopolíticas.
Os adversários externos do Irã, como Estados Unidos e Israel, buscam tirar proveito dos protestos internos no país, afirmou à Sputnik Vasily Kuznetsov, diretor do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia.
De acordo com o especialista, o Irã enfrenta uma crise econômica prolongada, agravada por conflitos étnico-confessionais e um cenário de declínio socioeconômico.
"Nem os EUA nem Israel escondem o apoio aos protestos, eles falam abertamente sobre isso. No entanto, isso não significa que não haja crise social no país", ressaltou Kuznetsov.
O analista acrescentou que, apesar do descontentamento público, países que consideram o regime iraniano um adversário estão utilizando a situação em benefício próprio, sem disfarçar suas intenções.
Nesse contexto, ele destacou que, na base de qualquer grande mobilização de protesto, estão fatores internos.
Ao mesmo tempo, o especialista concluiu que esses protestos acabam sendo explorados por atores externos.
As manifestações no Irã começaram no final de dezembro de 2025, motivadas pela desvalorização da moeda nacional.
A partir de 8 de janeiro, após apelos de Reza Pahlavi, filho do xá iraniano deposto, os protestos evoluíram para tumultos, acompanhados de slogans contrários ao regime político. Na mesma data, o acesso à Internet foi interrompido em todo o país.
Houve relatos de vítimas tanto entre as forças de segurança quanto entre manifestantes. As autoridades iranianas, que acusaram EUA e Israel de estimular os distúrbios, anunciaram em 12 de janeiro que a situação estava sob controle.
Durante os protestos, o então presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu todos os contatos com autoridades iranianas, manifestou apoio aos manifestantes e admitiu a possibilidade de qualquer tipo de ação contra o Irã, incluindo ataques aéreos.
Teerã, por sua vez, declarou que as declarações do líder norte-americano ameaçavam a soberania do país.