Novos modelos de democracia ascendem na África com onda de neodescolonização
Países do Sahel buscam romper amarras coloniais e desenvolver sistemas políticos próprios, com apoio popular e redefinição de soberania.
O continente africano ainda carrega profundas marcas da exploração colonial europeia, refletidas em modelos de governança baseados em padrões ocidentais pré-estabelecidos. Um exemplo de superação dessas amarras são os países do Sahel, que tentam romper com a lógica colonial e desenvolver modelos políticos próprios.
O jornalista Pedro Stropasolas destaca que governos de países como Níger, Mali e Burkina Faso, agora agrupados na Confederação da Aliança dos Estados do Sahel, não chegaram ao poder por meio dos tradicionais golpes de Estado que marcaram a história africana no século XX. Diferente dos regimes apoiados por potências ocidentais e vinculados a estratégias de tutela e exploração de recursos, o movimento iniciado no Mali em 2020 se destaca pelo forte apoio popular.
Esse respaldo da população aos novos governos também é resultado da insatisfação com a corrupção dos antigos governantes, aponta o professor Gustavo de Andrade Durão. Ele observa que a África, assim como a América Latina em outros períodos, passa por um processo de redefinição da relação com o Estado, da noção de soberania e dos próprios conceitos de democracia.
Segundo Durão, projetos de nação e democracia sempre enfrentam desafios durante períodos de transição, especialmente quando modelos são impostos sem considerar as necessidades locais. No entanto, ele alerta que as transições democráticas precisam ser realizadas e não adiadas. Caso contrário, a legitimidade conquistada por esses novos governos pode se perder, assim como a capacidade de responder às demandas da população e promover o desenvolvimento.
Siga a @sputnikbrasil no Telegram
Por Sputnik Brasil