SAÚDE PÚBLICA

Fiocruz lidera estudo com injeção semestral contra HIV em sete cidades brasileiras

Pesquisa com o medicamento lenacapavir busca avaliar inclusão do tratamento inovador no SUS

Por Sputinik Brasil Publicado em 16/01/2026 às 22:10
Fiocruz inicia estudo com injeção semestral contra HIV em sete cidades brasileiras. © Foto / Fernando Frazão / Agência Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou nesta sexta-feira (16) o início de um estudo que visa incorporar uma injeção semestral contra o HIV ao Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento lenacapavir, desenvolvido pela Gilead Sciences, recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil no começo desta semana.

De acordo com a Agência Brasil, o estudo, denominado ImPrEP LEN Brasil, será direcionado a homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos.

A Fiocruz disponibilizará o fármaco em sete cidades: Campinas (SP), Florianópolis (SC), Manaus (AM), Nova Iguaçu (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). As doses necessárias já foram asseguradas pela Gilead Sciences, mas a equipe científica da fundação aguarda a chegada do medicamento e das agulhas específicas para aplicação.

Segundo informações do jornal O Globo, o lenacapavir poderá ser utilizado tanto como profilaxia pré-exposição (PrEP), prevenindo a infecção pelo HIV em pessoas com mais de 12 anos e ao menos 35 kg, quanto em pacientes em tratamento que não apresentam resposta satisfatória aos medicamentos já disponíveis.

Com nome comercial Sunlenca, o lenacapavir já está autorizado para uso na Europa e nos Estados Unidos. O tratamento consiste em injeções semestrais para garantir a máxima eficácia.

O diferencial do lenacapavir está na necessidade de apenas duas aplicações ao ano, enquanto outros medicamentos disponíveis no Brasil exigem pelo menos seis aplicações em 12 meses.

Nos Estados Unidos, o custo anual do tratamento ultrapassa US$ 28 mil (aproximadamente R$ 150 mil). No entanto, pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, publicaram um estudo sugerindo que o medicamento poderia ser comercializado por US$ 25 (cerca de R$ 130) e ainda assim gerar lucro para a Gilead Sciences.