INVESTIGAÇÃO POLICIAL

Namorado de delegada, apontado como líder do PCC, esteve na cerimônia de posse

Delegada recém-empossada é presa sob suspeita de ligação com o PCC; namorado, considerado liderança da facção, participou da posse no Palácio dos Bandeirantes.

Publicado em 16/01/2026 às 20:14
Layla Lima Ayub Reprodução / Instagram

O promotor do Ministério Público de São Paulo, Carlos Gaya, afirmou nesta sexta-feira (16) que a delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, recém-empossada e presa sob suspeita de envolvimento com o PCC, esteve na cerimônia de posse no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, acompanhada do namorado, apontado como um dos líderes da facção no Pará.

Segundo o promotor, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, era "notoriamente faccionado, já havia sido condenado por integrar o PCC, pelo crime de tráfico de drogas, era uma liderança na região Norte do País". Ambos foram presos juntos em uma pensão na zona oeste da capital paulista.

"Ambos estavam residindo aqui no Estado de SP. Ele é um indivíduo notoriamente faccionado, já havia sido condenado por integrar o PCC, pelo crime de tráfico de drogas, era uma liderança na região Norte do País. Ela o trouxe para a capital, chegando a levá-lo para a cerimônia de posse no Palácio dos Bandeirantes", reforçou Gaya.

O Ministério Público recebeu informações sobre o envolvimento da delegada, que atuava na Academia de Polícia, com o crime organizado no Pará. Ela teria se relacionado com um integrante do PCC que estava sob livramento condicional e, de forma irregular, teria vindo a São Paulo acompanhada por ele.

A Corregedoria da Polícia Civil não revelou a origem da investigação, mas confirmou que, além do relacionamento com o faccionado, foi identificada a atuação da delegada como advogada de outro integrante do PCC no Pará, nove dias após a cerimônia de posse — fato considerado uma prova robusta.

Em coletiva de imprensa, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Oswaldo Nico Gonçalves, negou falhas no processo seletivo. "Não falhou. Não tinha nenhum apontamento até então. (...) Eu não queria estar aqui neste momento, queria contar com mais uma aluna na academia, a gente está precisando de delegado, eu queria contar com isso. Mas a pessoa está em estágio probatório por três anos. Por três anos pode ser investigado."

A Justiça determinou a prisão temporária de Layla e apura o grau de envolvimento dela com a facção. Na decisão, o juiz apontou a suspeita de que ela teria ingressado na Polícia Civil a mando do PCC.

"De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do País, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso", afirmou o magistrado.

O corregedor-geral da Polícia Civil, João Batista Palma Beolchi, informou em coletiva que a investigação será extensa e buscará comprovar se Layla prestou concurso por ordem do PCC. "Realmente se trata de uma investigação. Ela que vai nos mostrar a real amplitude do nível de comprometimento dessa delegada. A investigação procede justamente para investigar essa dúvida. Mas há essa possibilidade."