TENSÃO INTERNACIONAL

Irã condena ameaça do G7 de impor sanções ao país

Teerã classifica declaração do grupo como interferência e questiona posição sobre direitos humanos

Por Sputinik Brasil Publicado em 16/01/2026 às 19:42
Ministério das Relações Exteriores do Irã reage a ameaças de sanções do G7 após protestos no país. © AP Photo / Hadi Mizban

O Ministério das Relações Exteriores do Irã repudiou, nesta sexta-feira (16), a declaração dos países do G7 sobre a possibilidade de impor sanções caso o governo iraniano reprima protestos internos.

Em comunicado anterior, o G7 havia manifestado preocupação com a situação no Irã e sinalizado que poderia adotar restrições adicionais caso as autoridades não respeitassem o direito à manifestação. O grupo também pediu que Teerã demonstrasse moderação diante dos protestos.

"O Ministério das Relações Exteriores do Irã condena a declaração dos países do G7, que constitui interferência direta nos assuntos internos da República Islâmica. Teerã considera esta declaração uma clara evidência da posição falsa e dúbia dos países membros do G7, liderados pelos Estados Unidos, sobre a questão dos direitos humanos."

De acordo com a agência Reuters, os ministros das Relações Exteriores do G7 solicitaram, na quarta-feira (14), que as autoridades iranianas exercessem contenção, evitassem o uso da força e respeitassem os direitos humanos e as liberdades fundamentais dos cidadãos.

"Estamos profundamente alarmados com o elevado número de mortes e feridos relatados", afirmou o G7. "Condenamos o uso deliberado da violência e o assassinato de manifestantes, a detenção arbitrária e as táticas de intimidação das forças de segurança contra os manifestantes", destacou o comunicado.

Os protestos no Irã começaram no final de dezembro de 2025, impulsionados por preocupações com a inflação e a desvalorização do rial, a moeda local. Desde o dia 8 de janeiro, após apelos do líder opositor Reza Pahlavi, as manifestações se intensificaram em várias cidades.

Em alguns locais, os protestos evoluíram para confrontos com a polícia, embora as autoridades federais tenham declarado, em 12 de janeiro, que a situação estava sob controle. Segundo uma fonte de segurança iraniana citada pela agência Sputnik, mais de 500 pessoas, incluindo policiais e integrantes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), morreram durante os distúrbios.