MERCADO DE AÇÕES

Ibovespa realiza lucros, mas se mantém perto dos 165 mil; na semana, sobe 0,88%

Publicado em 16/01/2026 às 18:43
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Após duas sessões no nível recorde de 165 mil pontos, tendo chegado na quinta pela primeira vez no intradia aos 166 mil, o Ibovespa fez nesta sexta-feira, 16, uma pausa para consolidação, realizando lucros que ainda preservaram um avanço de 0,88% na semana, sucedendo outro ganho semanal, de 1,76%, na transição de 2025 a 2026. O índice da B3 caiu 0,46% na sessão, aos 164.799,98 pontos, com giro financeiro a R$ 34,1 bilhões em dia de vencimento de opções sobre ações. Da mínima à máxima desta sexta, oscilou dos 164.099,89 até os 165.871,66 pontos, saindo de abertura aos 165.556,54 pontos. Em janeiro, mostra alta de 2,28%.

O petróleo teve recuperação parcial em Londres e Nova York, em alta que chegou a superar 1% na sessão, após o tombo de 4% em ambas as referências, na quinta. Assim, o avanço de 0,27% para Petrobras ON e de 0,79% na PN, ainda que enfraquecido em direção ao fechamento, mitigou parte do efeito de outras blue chips sobre o Ibovespa, como as do setor financeiro, como Itaú (PN -0,83%). As ações da estatal contaram com amparo, também, da prévia do relatório de produção, divulgada na noite de ontem, que trouxe leitura acima da meta para o ano. Na ponta ganhadora do Ibovespa nesta sexta-feira, Copasa (+2,51%), Cosan (+2,40%) e Assaí (+2,19%). Vamos (-9,09%), Braskem (-5,84%) e Direcional (-5,70%) lideraram o campo oposto.

No exterior, a semana foi marcada por acentuada volatilidade nos preços do petróleo. A commodity tem oscilado ao sabor das incertezas e tensões em torno do futuro do regime dos aiatolás, no Irã. A instabilidade política resultou em violenta repressão a manifestantes, com mais de 2,4 mil mortos, segundo relatos de organizações que acompanham a situação no país.

Nos últimos dias, o recuo retórico do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto a uma eventual intervenção militar americana no Irã retirou parte dos prêmios de risco que haviam sido embutidos nos preços da commodity. Como aponta Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury, Trump passou a adotar, do meio para o fim desta semana, uma atitude de "esperar" para "observar", monitorando os desdobramentos da situação no Irã antes de optar ou descartar o engajamento direto em região volátil e vital para o mercado global de energia.

Como resultado, desde então os contratos futuros de petróleo caíram acentuadamente com a redução do risco geopolítico, na medida em que os mercados parecem, agora, "menos temerosos" quanto à possibilidade de um bloqueio no fornecimento da commodity através do Estreito de Ormuz, estratégico ponto de passagem de petroleiros que bordeja o Irã.

Em outro desdobramento importante nesta sexta, também no front externo, Trump sinalizou que pode manter o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, no cargo atual. Trump disse que "talvez queira manter" Hassett onde já está, na Casa Branca. Hassett era um dos nomes considerados mais fortes para substituir Jerome Powell, em maio, quando termina o mandato do atual presidente do Federal Reserve. "Não queremos perdê-lo na Casa Branca. Veremos o que fazer."

Após as declarações de Trump, os mercados de apostas passaram a precificar uma mudança clara de cenário para o comando do Fed. Na Kalshi, Warsh assumiu favoritismo, com 59% de probabilidade, refletindo a leitura de que Hassett pode permanecer no governo. Movimento semelhante foi observado na Polymarket, onde Warsh também passou a liderar as apostas, com 58%.

"Kevin Warsh pode vir a ser mais 'dovish' (suave) do que a composição atual com Jerome Powell à frente, mas não tanto quanto seria o caso com Kevin Hassett", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. Ele acrescenta que o sinal dado por Trump foi lido de forma favorável pelo mercado, que temia um grau maior de "interferência" no Fed caso Hassett se firmasse como pule de 10 para substituir Powell em maio. Em Nova York, os principais índices de ações fecharam o dia com leve variação: Dow Jones -0,17%, S&P 500 -0,06% e Nasdaq também -0,06%.

Na B3, observa Spiess, acabou prevalecendo uma realização de lucros natural, após duas sessões em níveis recordes, que haviam dado impulso, em especial, ao setor de energia. Assim, Petrobras, por exemplo, acumulou ganhos de 5,74% (PN) e 6,52% (ON) na semana, à frente de outro nome de peso, Vale ON, que subiu 5,57%. Nesta sexta, a ação da mineradora operou em baixa na maior parte da sessão, mas fechou na máxima do dia, pouco acima da estabilidade (+0,04%), a R$ 78,88.

"Metade de janeiro já ficou para trás, e a Bolsa segue repetindo o padrão que vimos no ano passado: novos recordes alcançados e o fluxo estrangeiro como principal motor da alta do Ibovespa", diz Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. Segundo ela, a diferença em relação a 2025 está nos "protagonistas" da nova arrancada: Petrobras e Vale. "Ações que demoraram a reagir no ano passado, assumiram a liderança e puxaram o índice para cima", acrescenta

Em meio ao grau de incerteza em especial no exterior, os agentes do mercado financeiro brasileiro moderaram o otimismo nas perspectivas para o desempenho do Índice Bovespa na próxima semana. Na edição de hoje do Termômetro Broadcast Bolsa, a parcela dos profissionais que esperam alta do Ibovespa recuou de 60% para 55,56%. Por outro lado, as estimativas de queda do índice na semana que vem aumentaram de 20% para 33,13%. As apostas de estabilidade do indicador diminuíram expressivamente, de 20% para 11,11%.

Na agenda doméstica, destaque nesta sexta-feira para a divulgação do índice de atividade IBC-Br, do Banco Central. "Trouxe surpresa positiva na margem, em alta de quase 0,7%, que se coaduna com a leitura de ontem sobre o varejo, do IBGE, o que reforçou a expectativa para serviços no IBC-Br", diz Antonio Ricciardi, economista do Daycoval. "Alta deste índice, considerado uma prévia do PIB, traz efeitos para a decisão do Copom, no sentido de uma economia ainda aquecida", observa Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, destacando que a leitura de novembro, a 0,68%, veio bem acima da expectativa de consenso, de alta na casa de 0,3%.