JUROS

Taxas de juros futuras têm firme alta, seguindo exterior e IBC-Br mais forte

Publicado em 16/01/2026 às 18:38
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Os juros futuros negociados na B3 exibiram alta firme desde a abertura na última sessão da semana, impulsionados pela leitura de novembro do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mais forte do que o previsto. O dado, ainda que relativamente defasado, se seguiu ao varejo igualmente acima do esperado na quinta e despertou discussões sobre o timing e o orçamento do esperado ciclo de cortes da Selic.

Fontes afirmaram à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que, nas duas primeiras reuniões trimestrais de economistas com o BC, ocorridas nesta sexta-feira, 16, em São Paulo, os participantes foram unânimes ao descartar possibilidade de redução do juro básico em janeiro. Segundo apuração dos repórteres Cícero Cotrim e Daniel Tozzi, a avaliação geral é que março seria um momento mais adequado.

A elevação adicional dos DIs também foi influenciada pelos Treasuries. Os rendimentos dos títulos soberanos americanos reagiram nesta sexta a declarações do presidente Donald Trump de que Kevin Hassett, atual conselheiro econômico da Casa Branca, deve permanecer em seu posto, em vez de substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve (Fed). Hassett seria um nome com maior propensão a aliviar a política monetária.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou de 13,748% no ajuste anterior para 13,805%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 13,076% no ajuste de quinta 13,195%. O DI para janeiro de 2031 ficou em 13,495%, de 13,371% no ajuste de quinta.

O cômputo semanal também foi de deslocamento para cima da curva a termo, com ganho de inclinação. Em relação ao fechamento da sexta-feira anterior, o vértice de janeiro de 2027 abriu 4,5 pontos-base, enquanto o vencimento de janeiro de 2029 aumentou 13,5 pontos-base, e de janeiro de 2031, 15 pontos-base.

Os juros futuros mais curtos foram pressionados desde cedo pela publicação do IBC-Br de novembro, que subiu 0,68% frente a outubro, feitos os ajustes sazonais - quase o dobro da mediana de estimativas coletada pelo Projeções Broadcast, de 0,35%. O dado também trouxe revisões em leituras anteriores, e se seguiu à outra surpresa positiva com o resultado das vendas do varejo, divulgado na quinta.

Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, depois de conhecer os dois índices, economistas estão começando a elevar, ainda que de forma modesta, as projeções para o crescimento do PIB do último trimestre e do acumulado de 2025. Cruz destaca que, devido à herança estatística, um desempenho mais robusto da atividade no final do ano passado também deve ter impacto positivo sobre o crescimento de 2026.

"Casas que projetavam 2,2% de crescimento para 2025 estão revisando para 2,3%, 2,4%, o que pode fazer com que as projeções para 2026 também sejam revistas para cima. Ainda que seja pouca diferença, de qualquer maneira não escuto mais ninguém falar que vai ter corte de juro em janeiro, e o pessoal não está mais tão convicto assim com março", relata Cruz.

Gestor de portfólio da Connex Capital, Gean Lima destaca que as opções digitais de Copom negociadas na B3 indicam apenas 19% de probabilidade de redução da Selic em janeiro, de 0,25 ponto. Já para a reunião de março, 30% das apostas são de manutenção, ante 70% de flexibilização, porcentual igualmente distribuído entre corte de 0,25 ponto e 0,50 ponto. "O número do IBC-Br gerou um estresse, mas ainda não vejo motivo para ele adiar o ciclo de cortes além de março", disse.

O Santander foi surpreendido positivamente pelo indicador, mas segue prevendo estabilidade do PIB no quarto trimestre frente ao terceiro, na comparação dessazonalizada, assim como expansão de 2,2% em 2025 e de 1,5% em 2026. "Em nossa visão, a força no mercado de trabalho continua a compensar parcialmente o impacto negativo da política monetária", observam os economistas Gabriel Couto e Rodolfo Pavan.

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