Lula destaca acordo com a UE como marco e aponta novas parcerias para o Mercosul
Em declaração no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta (16) que a conclusão das negociações entre Mercosul e União Europeia encerra um ciclo histórico e abre uma nova etapa da política externa brasileira, com foco na ampliação de parcerias globais e no fortalecimento do multilateralismo.
Segundo Lula, a retomada das negociações em novas bases foi definida como prioridade desde o início de seu terceiro mandato, condicionada à compatibilidade do acordo com objetivos como crescimento econômico, reindustrialização e preservação do papel do Estado em áreas estratégicas.
"Restaurar a parceria com a União Europeia em novas bases foi uma prioridade desde o início de meu terceiro mandato. Quando determinei a retomada das negociações, deixei claro que esse processo deveria ser compatível com os objetivos de promoção do crescimento econômico e de reindustrialização do Brasil", afirmou.
O presidente destacou que o acordo, que será formalizado em Assunção, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões (R$ 118 trilhões). Segundo o petista, a parceria reafirma compromissos internacionais e incorpora temas como meio ambiente, enfrentamento às mudanças climáticas, direitos dos povos indígenas, direitos trabalhistas e igualdade de gênero.
Lula afirmou ainda que a abertura comercial só se justifica se estiver associada ao desenvolvimento sustentável e à redução das desigualdades. Diante disso, disse que o Brasil pretende ampliar comércio e investimentos sem permanecer restrito ao papel de exportador de commodities.
"Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia, mas não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de produtos primários. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado."
De acordo com o presidente, o acordo prevê mecanismos para incentivar investimentos europeus no Brasil e contempla cadeias de valor estratégicas ligadas à transição energética e à transição digital. Ele também enfatizou que a parceria ultrapassa a dimensão econômica, ao reforçar valores compartilhados como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos, além de padrões elevados de proteção ambiental e trabalhista.
No plano geopolítico, Lula afirmou que a conclusão do acordo com a União Europeia não esgota a agenda externa do bloco sul-americano. Segundo ele, o Mercosul seguirá como instrumento central para a inserção internacional do Brasil e para a construção de novas parcerias.
"Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e para construir novas parcerias no mundo todo, em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China.".
O presidente também confirmou participação, no final do mês, no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá. Para Lula, o acordo é positivo não apenas para o Brasil e para o Mercosul, mas também para a Europa e para o fortalecimento do multilateralismo.
"É bom, e muito bom, sobretudo para o mundo democrático."
Afagos e elogios de Ursula a Lula
Após a fala de Lula, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou o papel do presidente brasileiro na condução das negociações e fez elogios diretos à sua liderança. Segundo ela, o acordo reflete valores que considera centrais no cenário internacional atual.
Ursula afirmou que Lula é um líder que "respeita o planeta", "respeita as comunidades" e atua com compromisso social e ambiental. Em tom pessoal, disse que esse é o tipo de liderança de que o mundo precisa neste momento de instabilidade global, ressaltando a importância do diálogo, do multilateralismo e da cooperação entre países.
"Por mais de duas décadas, inúmeros negociadores e seus líderes trabalharam nesse acordo com o Mercosul. Ele agora foi concluído e é uma conquista de uma geração inteira."
A presidente da Comissão Europeia também classificou o acordo como uma conquista histórica construída ao longo de mais de duas décadas de negociações e afirmou que a liderança política, o compromisso pessoal e a persistência de Lula foram decisivos para a conclusão do entendimento.
Por Sputinik Brasil