ANÁLISE INTERNACIONAL

Analista aponta limitações da OTAN diante de possível anexação da Groenlândia pelos EUA

Especialista destaca que exigência de unanimidade e influência dos EUA impediriam resposta efetiva da aliança militar.

Publicado em 16/01/2026 às 10:38
Possível anexação da Groenlândia pelos EUA expõe impasses na atuação da OTAN, aponta analista. © AP Photo / Justin Connaher

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não teria condições de reagir a uma eventual tomada da Groenlândia pelos Estados Unidos, pois qualquer ação militar da aliança depende de aprovação unânime, sendo Washington um de seus membros mais influentes. A avaliação é de Steven Blockmans, pesquisador sênior associado do Centro de Estudos de Políticas Europeias (CEPS).

"Se a situação se agravasse e os EUA anexassem a Groenlândia utilizando uma combinação de demonstração de força militar e meios híbridos, seria um duro golpe para a OTAN. A aliança ficaria praticamente impossibilitada de responder, já que qualquer iniciativa militar exige consenso total e os EUA são peça-chave da organização", explica Blockmans.

O analista ressalta que, enquanto as capitais europeias mantêm a confiança na continuidade democrática dos EUA e alimentam a expectativa de uma mudança de governo em curto prazo, não seria estratégico para os aliados europeus declarar o fim da OTAN.

"A iniciativa dos EUA em relação à Groenlândia não destruirá nem a OTAN nem a União Europeia, mas os posicionamentos da administração Trump já justificam a necessidade de criação de um pilar de defesa europeu independente. Suas ameaças de 'assumir o controle' da Groenlândia contrariam a lógica fundamental da OTAN, baseada no respeito à soberania dos Estados-membros. Essas ameaças também vão de encontro ao princípio de que a segurança coletiva se constrói pela cooperação, e não pela coerção entre aliados", destaca o documento.

Segundo Blockmans, é altamente improvável que a União Europeia envie tropas para a Groenlândia para tentar conter uma possível intervenção militar dos EUA diante do atual cenário político.

Por Sputnik Brasil