ECONOMIA GLOBAL

Comércio global deve desacelerar e enfrentar protecionismo em 2026, aponta UNCTAD

Após recorde em 2025, projeções indicam menor ritmo de crescimento e desafios com protecionismo e cadeias de suprimentos.

Publicado em 15/01/2026 às 21:54
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O comércio mundial encerrou 2025 com um marco inédito: as trocas globais ultrapassaram US$ 35 trilhões, representando um aumento de 7% em relação a 2024, conforme o primeiro balanço anual da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Apesar do desempenho expressivo, a tendência para 2026 é de desaceleração. Segundo a entidade, o crescimento das transações internacionais seguirá positivo, porém em ritmo consideravelmente menor, refletindo um cenário econômico mais frágil e fragmentado.

A UNCTAD projeta expansão de apenas 2,6% para o PIB mundial tanto em 2025 quanto em 2026, patamar considerado fraco mesmo diante dos possíveis ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial. Nos Estados Unidos, a economia deve desacelerar de 1,8% para 1,5% em 2026, enquanto a China verá seu crescimento cair de 5% para 4,6%. Na Europa, mesmo com estímulos fiscais pontuais — como os anunciados pela Alemanha —, a demanda deve permanecer modesta. O resultado é um ambiente de menor apetite por importações, condições financeiras mais restritas e maior vulnerabilidade a choques nos países emergentes.

Paralelamente, quatro forças estão redesenhando os fluxos comerciais: o avanço do protecionismo, a reorganização das cadeias de suprimentos, a corrida pelas transições digital e verde, e regras nacionais cada vez mais rígidas. Esse contexto aumenta incertezas e custos, reduzindo o horizonte de planejamento para empresas e governos.

Nos países em desenvolvimento (excluindo a China), o crescimento projetado diminui de 4,3% em 2025 para 4,2% em 2026, sinalizando que o impulso externo está perdendo força. Diante desse cenário, a UNCTAD recomenda reforçar a integração regional, explorar nichos do comércio digital e adotar políticas industriais voltadas à resiliência.

Sem essas medidas, alerta a entidade, o arrefecimento do ciclo global pode estagnar investimentos, emprego e renda, sobretudo nas economias mais vulneráveis.