França condena 10 pessoas por assédio virtual sexista contra Brigitte Macron
Réus receberam penas que variam de cursos de conscientização a oito meses de prisão por ataques e fake news contra a primeira-dama.
Dez pessoas foram condenadas nesta segunda-feira, 5, por assédio virtual sexista contra a primeira-dama da França, Brigitte Macron. Ela foi alvo de notícias falsas que alegavam, sem fundamento, que teria nascido homem. As sentenças aplicadas variam de cursos obrigatórios de conscientização sobre cyberbullying até oito meses de prisão.
O tribunal destacou que os comentários publicados eram "particularmente degradantes, insultuosos e maliciosos", referindo-se a falsas alegações sobre suposta identidade trans e acusações infundadas de pedofilia contra Brigitte Macron.
Os réus — oito homens e duas mulheres, com idades entre 41 e 65 anos — foram responsabilizados por postarem "vários comentários maliciosos" que atribuíam falsamente à esposa do presidente Emmanuel Macron o fato de ter nascido homem, além de associarem a diferença de idade de 24 anos entre o casal à pedofilia. Algumas dessas postagens alcançaram dezenas de milhares de visualizações.
Em entrevista à emissora nacional TF1, Brigitte Macron afirmou que decidiu recorrer à Justiça para "dar o exemplo" na luta contra o assédio online. Sua filha, Tiphaine Auzière, relatou ao tribunal a "deterioração" na qualidade de vida da mãe desde o aumento dos ataques virtuais.
"Ela não pode ignorar as coisas horríveis ditas sobre ela", declarou Auzière, ressaltando que o impacto se estendeu a toda a família, incluindo os netos de Brigitte Macron.
Quem são os condenados
Entre os condenados, está Delphine Jegousse, 51 anos, conhecida como Amandine Roy, médium e autora. Ela teve papel central na propagação do boato ao divulgar, em 2021, um vídeo de quatro horas em seu canal no YouTube. Jegousse foi sentenciada a seis meses de prisão.
Outro condenado é Aurélien Poirson-Atlan, 41 anos, que usava o pseudônimo Zoé Sagan nas redes sociais. Sua conta no X (antigo Twitter) foi suspensa em 2024, após seu envolvimento ser citado em diversas investigações judiciais. Poirson-Atlan recebeu pena de oito meses de prisão.
Também figuram entre os réus um oficial eleito, um professor e um cientista da computação. Alguns alegaram ao tribunal que seus comentários tinham tom de humor ou sátira e afirmaram não compreender o motivo do processo.
Esse caso é resultado de anos de teorias conspiratórias que, falsamente, afirmam que Brigitte Macron nasceu com o nome Jean-Michel Trogneux — na verdade, nome de seu irmão. O casal Macron também moveu um processo por difamação nos Estados Unidos contra a influenciadora conservadora Candace Owens.
Brigitte e Emmanuel Macron estão casados desde 2007. Eles se conheceram quando ele era estudante e ela, professora na mesma escola. Brigitte, 24 anos mais velha, era então chamada Brigitte Auzière, casada e mãe de três filhos. Emmanuel Macron, 48, é presidente da França desde 2017.
A investigação sobre o assédio virtual foi conduzida pela Brigada de Repressão ao Crime contra Pessoas (BRDP), após denúncia apresentada por Brigitte em 27 de agosto de 2024, resultando em diversas prisões, principalmente em dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. (Com informações da Associated Press).