DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Brasil deve se pronunciar na ONU sobre ataque dos EUA à Venezuela

Reunião do Conselho de Segurança debate invasão americana que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Governo brasileiro condena ação e defende diálogo.

Publicado em 05/01/2026 às 09:40
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Brasil deverá se manifestar na reunião do Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas (ONU), marcada para esta segunda-feira, 5, em Nova York (EUA). O encontro discutirá a invasão do Exército americano à Venezuela, que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de sábado, 3. O casal foi levado para os Estados Unidos, onde deve comparecer à Justiça ainda nesta segunda-feira.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada ao Estadão pelo Itamaraty. O representante brasileiro na ONU, Sergio Danese, "deverá pronunciar-se em nome do Brasil".

Embora não seja membro permanente do Conselho de Segurança e não tenha poder de voto, o Brasil utilizará a regra 37 do regimento do órgão. Essa norma permite que qualquer Estado-membro da ONU exponha seu ponto de vista em discussões do grupo sobre temas de interesse nacional.

O Ministério das Relações Exteriores não antecipou o teor da fala de Danese, mas a expectativa é que o representante brasileiro endosse a posição oficial do governo, que repudiou os ataques promovidos pelas forças americanas em Caracas.

No sábado, 3, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a ação do governo de Donald Trump na Venezuela e afirmou que os bombardeios em território venezuelano e a captura de Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável".

"Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", escreveu Lula em sua conta no X.

Lula acrescentou que a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), precisa responder "de forma rigorosa" ao episódio. "O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação", reforçou.

Maduro e Flores foram capturados no último sábado, em Caracas, durante a operação militar denominada Resolução Absoluta. O Exército dos Estados Unidos invadiu o território venezuelano durante a madrugada, lançou bombas e, em poucas horas, realizou a extração do casal, sem encontrar forte resistência.

O casal estava abrigado no Forte de Tiuna, uma base militar na capital, e foi levado para os Estados Unidos, onde responderá a acusações de envolvimento com o narcotráfico. Segundo o The New York Times, ao menos 80 pessoas, entre civis e militares, morreram durante a operação — nenhuma delas era soldado americano.