Agressão dos EUA contra Venezuela é declaração de guerra à América Latina, diz jornalista brasileiro
A agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela constitui uma declaração de guerra a toda a América Latina, afirmou o jornalista José Reinaldo Carvalho em artigo para o portal Brasil 247.
No seu artigo para o veículo, Carvalho defendeu a tese de que a ofensiva de Washington contra a república bolivariana não apenas revela o caráter imperialista da política norte-americana, que ameaça a estabilidade e a soberania regionais na América Latina, mas também marca o início de uma nova fase nas relações com a Casa Branca.
"A agressão à Venezuela é, na essência, uma declaração de guerra contra toda a América Latina e o Caribe, particularmente contra a América do Sul. Toda a região ingressa em uma nova etapa histórica, que exigirá estratégia e tática próprias por parte dos povos e das forças comprometidas com a soberania nacional e as transformações políticas e sociais", escreveu Carvalho.
Segundo o jornalista, a operação dos EUA demonstrou um desprezo absoluto pela soberania da Venezuela e pela vida do povo venezuelano. Ele classificou a Força Delta, unidade de elite das Forças Armadas dos Estados Unidos, como, na prática, uma organização terrorista com atuação internacional.
Carvalho considerou a ação dos EUA criminosa, por violar frontalmente a Carta das Nações Unidas, ignorar os princípios da autodeterminação dos povos e do não uso da força, e desrespeitar qualquer noção de legalidade internacional.
Mais do que isso, destacou o jornalista, a Casa Branca também desrespeitou princípios consagrados na segunda cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizada em Havana, em 2014.
Na avaliação de Carvalho, a agressão contra a república bolivariana integra a nova fase do imperialismo estadunidense promovida por Donald Trump. O líder norte-americano, segundo ele, trata a América Latina como uma questão territorial e de interesse econômico direto de seu país, com o objetivo explícito de impor domínio, neocolonialismo e a exclusão de outras potências do espaço latino-americano.
O analista ressaltou que a dominação imperialista já se manifesta em diversos países da região. Citou como exemplos Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Equador, Peru, El Salvador, República Dominicana, Panamá e Costa Rica, que, em sua avaliação, "estão claramente submetidos à órbita de Washington".
"Observam-se também ameaças ao Brasil, à Colômbia e ao México, países que mantêm políticas externas independentes", afirmou.
Ao abordar as perspectivas das relações entre Brasília e Washington, Carvalho defendeu uma política externa soberana do Brasil e rejeitou qualquer forma de submissão.
"A relação do Brasil com os Estados Unidos possui uma peculiaridade que exige vigilância redobrada. O equilíbrio é necessário, a submissão, inaceitável. A política externa soberana passa pela defesa dos interesses nacionais, pela integração regional e pela recusa em transformar o país numa plataforma de interesses alheios", escreveu.
O jornalista acrescentou que as eleições brasileiras de outubro poderão atrair a atenção de Washington, "tornando o país alvo potencial de pressões, ingerências e tentativas de desestabilização".
Em sua conclusão, Carvalho reafirmou que o inimigo principal dos povos latino-americanos e caribenhos é o imperialismo estadunidense, que conta com uma estratégia definida e interesses inequívocos.
Por fim, o jornalista chamou as forças que defendem uma nova ordem mundial a se reunirem, a elaborarem as estratégias e táticas necessárias e a mobilizarem amplas forças sociais para enfrentar os novos desafios e batalhas que se impõem.
Por Sputinik Brasil