ELEIÇÕES 2026

Crise na Venezuela reacende embate político e vira tema central da eleição brasileira

Por Sputinik Brasil Publicado em 04/01/2026 às 12:43
© Foto / Palácio do Planalto / Ricardo Stuckert

O ataque dos EUA à Venezuela acirrou a disputa eleitoral no Brasil, com a direita usando a queda de Maduro para atacar Lula e reforçar discursos contra o comunismo, enquanto a esquerda reage defendendo soberania e alertando para possível interferência norte-americana na eleição presidencial de 2026.

Após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, a direita brasileira vem usando o episódio para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o Planalto tenta adotar um discurso cauteloso diante de um tema que historicamente desgasta a esquerda. A ação militar de Donald Trump contra Nicolás Maduro deve entrar com força na campanha presidencial de 2026, na qual Lula buscará a reeleição e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como pré-candidato da oposição.

De acordo com a Folha de S.Paulo, tanto aliados de Lula quanto políticos de direita avaliam que os efeitos eleitorais dependerão do desfecho da crise venezuelana, marcada pela captura de Maduro e pelo anúncio de que os EUA governarão o país até uma transição. A família Bolsonaro aproveitou o episódio para reativar discursos contra o comunismo e o Foro de São Paulo, reforçando a narrativa de que a queda de Maduro simboliza o enfraquecimento da esquerda na região.

Governadores alinhados ao bolsonarismo, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Romeu Zema (NOVO), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Júnior (PSD), celebraram o que chamam de libertação da Venezuela de uma ditadura. Todos são apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por liderar uma tentativa de golpe após a derrota de 2022. A esquerda, por sua vez, tenta reforçar a defesa da soberania e da democracia, acusando Trump de agir motivado pelo interesse no petróleo venezuelano e alertando para possível interferência norte-americana na eleição brasileira.

Lula condenou os bombardeios e a captura de Maduro, classificando-os como grave afronta à soberania venezuelana e perigoso precedente internacional, mas evitou citar Maduro, Trump ou os EUA diretamente. A direita afirma que presidente brasileiro tenta se afastar de Maduro, embora mantenha histórico de proximidade com o líder venezuelano, apesar de não ter reconhecido sua reeleição contestada em 2024.

Ao mesmo tempo, Lula busca manter boa relação com Trump, com quem se encontrou em outubro, após o recuo do presidente norte-americano em relação a tarifas e sanções ao Brasil. A oposição explora essa ambiguidade e tenta associar a queda de Maduro a um possível enfraquecimento eleitoral de Lula em 2026, narrativa impulsionada por Tarcísio e Michelle Bolsonaro.

Michelle Bolsonaro e outros líderes da direita afirmam que Lula é aliado de Maduro e que seus governos compartilham práticas autoritárias. Eles interpretam a operação norte-americana como um aviso a governantes sul-americanos alinhados ao chavismo. Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, a América Latina estaria rejeitando a esquerda, citando movimentos recentes na Bolívia, Chile e Argentina.

Flávio Bolsonaro e seus irmãos intensificaram ataques ao governo, afirmando que o "comunismo fracassa" e que ditaduras caem quando os povos escolhem a liberdade. O senador também voltou a atacar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Foro de São Paulo, acusando a esquerda de ligação com crimes e fraudes eleitorais, reforçando que a crítica ao suposto alinhamento de Lula com ditaduras será central na campanha da direita.