INTERNACIONAL

Mundo entra em fase de conflito global após ações dos EUA na Venezuela, afirma Dugin

Por Sputinik Brasil Publicado em 04/01/2026 às 11:43
© AP Photo / Cristian Hernandez

A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela sinaliza que o mundo ingressou em um novo conflito global e que o Direito Internacional deixou de existir, sendo reescrito pelos vencedores entre as grandes potências, escreveu o filósofo russo Aleksandr Dugin.

Dugin destacou que o conflito na Ucrânia representa a entrada da Rússia no clube das grandes potências.

"Se tivermos esse 'bilhete', seremos levados em conta. Se não tivermos, este direito internacional será estabelecido por outro às nossas custas", ressaltou.

Segundo ele, a ação norte-americana na Venezuela confirma que o direito internacional não existe mais e que prevalece a lei do cada um por si.

Dessa forma, ele defendeu que a Rússia deve adotar plenamente sua própria "Doutrina Monroe para a Eurásia", argumentando que, apenas afirmando sua esfera de influência, o país pode evitar que outras nações lhe imponham regras.

"Precisamos formular nossa própria Doutrina Monroe para a Rússia […]. Trabalho nisso há mais de 30 anos", concluiu Dugin.

No sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um ataque maciço à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por uma unidade de elite da Delta Force. Trump também publicou uma foto que, segundo ele, mostra Maduro a bordo de um navio norte-americano. A mídia noticiou explosões em Caracas e a morte de pelo menos 40 pessoas.

As autoridades venezuelanas perderam contato com Maduro, que, segundo veículos da imprensa dos EUA, teria sido levado para Nova York sob custódia.

Enquanto congressistas norte-americanos classificaram a operação como ilegal, a administração Trump anunciou que Maduro enfrentará um julgamento. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela afirmou que apelará a organizações internacionais e solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para amanhã (5).

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia manifestou solidariedade à Venezuela, condenou a prisão de Maduro e de sua esposa, pediu sua libertação imediata e alertou para o risco de uma escalada perigosa da situação.