INDÚSTRIA FERROVIÁRIA

Mídia: concorrência chinesa pressiona indústria ferroviária brasileira em meio à retomada do setor

Por Sputinik Brasil Publicado em 04/01/2026 às 11:35
© Foto / Governo do Estado de São Paulo/Agência Brasil

A indústria ferroviária brasileira prevê crescimento em 2026, com alta na produção de locomotivas, vagões e carros de passageiros, mas fabricantes afirmam que o avanço poderia ser maior não fosse a forte concorrência da chinesa CRRC, que venceu contratos bilionários e pressiona o setor por condições de competição mais equilibradas.

De acordo com a Folha de S.Paulo, as fabricantes ferroviárias instaladas no Brasil preveem aumento na produção de locomotivas, vagões e carros de passageiros em 2026, mas afirmam que o avanço poderia ser maior se houvesse condições de concorrência mais equilibradas frente às gigantes chinesas. A CRRC, maior fabricante ferroviária do mundo, venceu a licitação bilionária do Metrô de São Paulo, integra o consórcio do Trem Intercidades e já forneceu trens para operações nacionais.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), a indústria deve produzir 72 locomotivas em 2026, 1.900 vagões de carga e 193 carros de passageiros, crescimentos significativos em relação ao ano anterior e os melhores níveis da década para locomotivas e vagões. Mesmo assim, o setor ainda está distante dos picos históricos registrados nas décadas de 2000 e 2010.

Ainda de acordo com a apuração, a entidade afirma que a concorrência chinesa pressiona o mercado brasileiro, não por falta de qualidade local, mas pelo poder econômico e pela agressividade comercial da CRRC. O caso mais recente é o contrato de R$ 3,1 bilhões para 44 trens do Metrô de São Paulo, no qual fabricantes nacionais chegaram ao limite de competitividade.

A CRRC, com faturamento anual de cerca de R$ 170 bilhões, acumula contratos em países desenvolvidos e emergentes e ampliou sua presença na América Latina, vencendo licitações em Medellín e Bogotá. No Brasil, integra o consórcio liderado pela Comporte para o Trem Intercidades e já forneceu trens para a Vale.

Representantes do setor, como o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) ouvidos pela Folha, afirmam que as empresas brasileiras são competitivas no exterior, mas enfrentam concorrência desleal internamente. Por isso, pedem financiamentos mais competitivos e isonomia regulatória, em articulação com o governo federal e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Para atender ao contrato paulista, a CRRC instalará parte da produção em Araraquara, em área da Hyundai Rotem, com investimento de R$ 50 milhões e geração de cem empregos, cumprindo exigências de nacionalização.

Apesar da retomada gradual, a indústria ferroviária ainda opera abaixo da capacidade histórica: os carros de passageiros previstos para 2026 representam menos da metade do volume de 2016, e os vagões equivalem a apenas um quarto do pico de 2005, segundo dados compilados pela Folha. Mesmo assim, empresas como a Marcopolo Rail veem oportunidades em novos projetos, modernização de metrôs e reaproveitamento de trechos ferroviários devolvidos.

A Wabtec também projeta cenário positivo, impulsionado pela renovação de concessões e pela demanda de setores como mineração e agronegócio. A empresa ampliou sua estrutura em Contagem (MG), inaugurando um centro global de engenharia e uma segunda linha de produção de locomotivas, sinalizando confiança no crescimento do mercado ferroviário brasileiro.