ANÁLISE

Ataque estadunidense à Venezuela viola Direito Internacional e leis dos EUA, afirmam analistas

Por Sputinik Brasil Publicado em 04/01/2026 às 05:55
© AP Photo / Matias Delacroix

A operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela representa uma declaração de renascimento da Doutrina Monroe e de reafirmação da hegemonia de Washington no Hemisfério Ocidental, disse ao jornal chinês Global Times Lu Xiang, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais. 

Xiang destacou que a derrubada do governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tem sido um objetivo dos Estados Unidos. No entanto, o analista apontou que a captura de um chefe de Estado em exercício dessa forma é extremamente incomum e pode ser considerada um ato de imprudência.

"Trata-se de uma declaração do renascimento de uma nova Doutrina Monroe e uma afirmação da hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental", ressaltou.

O jornal enfatizou que a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada em dezembro de 2025, delineou planos para reduzir a prioridade da Europa e focar mais no Hemisfério Ocidental.

Dessa forma, a publicação sublinha que o governo norte-americano denomina essa mudança de "Corolário Trump" à Doutrina Monroe.

Segundo Xiang, a ação estadunidense não só viola o direito internacional, como também carece de base legal na legislação interna dos EUA.

Outro especialista ouvido pelo jornal, Jiang Shixue, estudioso de assuntos latino-americanos da Universidade Fudan, opinou que, sob o pretexto da chamada "guerra às drogas", os Estados Unidos recorreram à força militar para tentar recuperar o controle dos recursos petrolíferos vitais da Venezuela.

"Após a chegada de [Hugo] Chávez ao poder, ele implementou a nacionalização da indústria do petróleo, deixando apenas a Chevron como a única companhia de petróleo dos EUA a conduzir operações de extração e refino na Venezuela, uma situação que os Estados Unidos consideram prejudicial aos seus próprios interesses", concluiu Jiang.

No sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu país havia lançado um "ataque maciço" contra a Venezuela e que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, haviam sido capturados e retirados do país.

A mídia noticiou explosões em Caracas e afirmou que a operação foi realizada pela unidade de elite Delta Force. O jornal The New York Times, citando um alto funcionário venezuelano, informou que pelo menos 40 pessoas, entre militares e civis, morreram no ataque.