Jornalista resgata memória da luta Xukuru-Kariri em acervo histórico
Radicado em Portugal, Fernando Valões compartilha arquivos audiovisuais de mais de 40 anos e revive registros fundamentais da resistência indígena em Palmeira dos Índios, preservando a história do interior e da capital de Alagoas.
O jornalista Fernando Valões, atualmente radicado em Portugal, vem prestando um serviço de enorme relevância à memória jornalística e histórica de Alagoas. Por meio de suas redes sociais, ele tem divulgado preciosos arquivos do seu acervo pessoal, construído ao longo de mais de quatro décadas de atuação profissional, reunindo imagens, vídeos e relatos que resgatam a vida, a cultura e as lutas do povo alagoano — tanto do interior quanto da capital.
Entre os materiais recentemente publicados, um vídeo em especial chama a atenção pelo valor histórico e simbólico: o registro da luta do povo indígena Xukuru-Kariri pela demarcação de suas terras, em Palmeira dos Índios. As imagens foram gravadas em 1989 e mostram lideranças indígenas discursando de forma firme e emocionada em defesa do território tradicional, diante das câmeras e das lentes de Fernando Valões.
No vídeo, aparecem figuras emblemáticas da aldeia Xukuru-Kariri, como Manuel Celestino, Miguel Celestino e Antônio Celestino. Dois deles seguem vivos e são testemunhas diretas de um período marcado por resistência, mobilização e enfrentamento em busca do reconhecimento oficial das terras indígenas.
Mais do que um resgate jornalístico, o trabalho de Fernando Valões (@fernandovaloes) cumpre um papel essencial de preservação da memória coletiva, trazendo à luz documentos audiovisuais que ajudam a compreender a história recente de Alagoas, as lutas sociais do seu povo e o protagonismo indígena em um contexto de invisibilidade e negação de direitos.
Ao compartilhar esse acervo, Valões contribui não apenas com o jornalismo, mas também com pesquisadores, educadores, estudantes e com a própria comunidade indígena, que vê sua trajetória registrada, reconhecida e valorizada. Trata-se de um patrimônio histórico que ultrapassa gerações e reafirma a importância do jornalismo como guardião da memória e da identidade de um povo.