RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Infiltrado da CIA, abrigo frustrado: como EUA atacaram a Venezuela e prenderam Maduro

Publicado em 03/01/2026 às 19:48
Infiltrado da CIA, abrigo frustrado: como EUA atacaram a Venezuela e prenderam Maduro Reprodução

Boa parte do mundo foi pega de surpresa ao acordar neste sábado, 3, com a notícia da invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e da captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro. Mas o governo americano já queria ter realizado a operação antes mesmo da virada do ano, plano que precisou ser adiado pelas condições meteorológicas, segundo declarações do presidente americano, Donald Trump.

A ação militar ocorreu após tentativas frustradas de negociação para que o líder venezuelano se rendesse. Paralelamente à tentativa de diálogo, porém, Washington já traçava as estratégias para um eventual ataque, que teria sido planejado com a ajuda de uma fonte da CIA (agência de inteligência americana) dentro do governo de Maduro.

Segundo o jornal The New York Times, essa fonte teria ajudado a monitorar os passos do ditador momentos antes da sua detenção. De acordo com Trump, ele foi preso em uma "fortaleza" enquanto tentava se esconder em um espaço seguro do imóvel com paredes de aço.

Entenda abaixo como os Estados Unidos conseguiram invadir a Venezuela e capturar o presidente do país, e saiba mais sobre alguns dos momentos cruciais da operação:

Infiltrado da CIA

Em meio às tensões crescentes entre Venezuela e Estados Unidos que aumentaram a partir de setembro, com o início dos ataques a barcos no Caribe, Trump autorizou a CIA a realizar operações secretas dentro da Venezuela e disse que estava avaliando a possibilidade de realizar operações terrestres no país.

Nesse contexto, uma fonte da CIA dentro do governo venezuelano teria sido fundamental para a captura de Maduro. De acordo com o The New York Times, essa fonte monitorou a localização de Maduro nos dias e momentos que antecederam sua captura pelas forças de operações especiais dos EUA, de acordo com pessoas informadas sobre a operação ouvidas pelo jornal.

A agência de espionagem americana, segundo essas pessoas, produziu as informações que levaram à captura de Maduro, monitorando sua posição e movimentos com uma frota de drones discretos que forneciam monitoramento quase constante sobre a Venezuela, além das informações fornecidas por suas fontes venezuelanas.

Não está claro como a CIA recrutou a fonte venezuelana que informou aos americanos a localização de Maduro. Mas ex-funcionários disseram que a agência foi claramente auxiliada pela recompensa de US$ 50 milhões que o governo dos EUA ofereceu por informações que levassem à captura de Maduro.

Negociação com Maduro

Antes da ação militar, Maduro e Trump teriam conversado algumas vezes em busca de uma saída para o país sul-americano. Veículos de imprensa dos EUA noticiaram que o venezuelano queria garantias de que ele e a família teriam anistia caso ele aceitasse deixar o governo.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deu a entender, em coletiva de imprensa neste sábado ao lado de Trump, que Maduro teve muitas oportunidades de um acordo para deixar a Venezuela, mas que preferiu "jogar" com o governo americano.

"Maduro teve múltiplas oportunidades de evitar isso. Foram apresentadas várias ofertas muito, muito generosas, e ele escolheu, em vez disso, agir como um selvagem, escolheu brincar com isso. Esse cara teve várias oportunidades de encontrar um lugar para si em outro lugar e poderia estar vivendo em outro país, muito feliz", disse Rubio.

Trump disse que, "no final", Maduro estava querendo negociar, mas que os EUA decidiram fazer a operação porque as ações de Maduro eram "imperdoáveis".

Trump não detalhou quando houve essa sinalização de Maduro para a negociação, mas, na última quinta, 1, o venezuelano deu entrevista falando que estava aberto a conversar com o governo americano sobre o combate ao tráfico de drogas e a exploração de petróleo.

Ação militar adiada

Uma vez definida que a ação militar seria realizada, o governo americano decidiu que ela aconteceria no dia 30 de dezembro, mas as condições climáticas acabaram levando ao adiamento da operação, segundo Trump.

"Nós íamos fazer isso quatro dias atrás, mas o tempo não estava perfeito, e o tempo tem que estar perfeito", disse à Fox News.

O presidente americano disse, então, que a operação foi adiada para o dia seguinte e para o outro, mas as condições meteorológicas não melhoraram, até que "o tempo abriu" neste sábado e eles autorizaram o ataque. "Havia um pouco mais de nuvens do que imaginávamos, mas estava muito bom."

Captura de Maduro

Ainda na entrevista para a emissora americana, Trump disse que Maduro estava em "uma casa muito vigiada", "uma espécie de fortaleza" quando foi detido. Segundo o presidente americano, o venezuelano tentou se abrigar em um cômodo protegido do imóvel, mas os militares americanos foram mais rápidos e o prenderam.

"Tinha portas de aço. Tinha o que eles chamam de 'espaço seguro', onde é aço maciço por todos os lados. Ele não conseguiu fechar esse espaço. Estava tentando entrar nele, mas foi surpreendido tão rápido que não chegou a entrar", disse Trump.

De acordo com o republicano, os militares estavam preparados com "potentes maçaricos" para lidar com aço, mas o uso não foi necessário.

Após a captura, o ditador foi levado de helicóptero até um navio de guerra americano e de lá seguiria para Nova York, onde será julgado por quatro crimes: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos.

De acordo com Trump, Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram levados de helicóptero inicialmente para o navio militar Iwo Jima, um porta-helicópteros usado para transportar fuzileiros navais, aeronaves e equipamentos que funciona como uma espécie de base móvel no mar.

"Eles estão em um navio e vão seguir para Nova York… Eles foram de helicóptero, num voo agradável. Tenho certeza de que eles adoraram", ironizou o presidente americano.