Irã diz que declarações de Trump sobre ajuda dos EUA a manifestantes iranianos são 'imprudentes'
A mensagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a disposição de Washington em prestar ajuda aos manifestantes no Irã é "imprudente e perigosa", afirmou nesta sexta-feira (2) o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.
Trump declarou que, se o Irã "matar manifestantes pacíficos", os Estados Unidos virão em auxílio dessas pessoas e estão prontos para agir.
"A mensagem de hoje do presidente Trump, provavelmente sob a influência daqueles que temem a diplomacia e acreditam, de forma equivocada, que ela é desnecessária, é imprudente e perigosa", afirmou Araghchi.
O ministro destacou que os iranianos que participam dos protestos, surgidos em meio às oscilações do valor da moeda, exercem seus direitos de expressar discordância e ressaltou o caráter pacífico das manifestações. Araghchi também afirmou que as Forças Armadas da República Islâmica estão em estado de prontidão e sabem "onde mirar" caso alguém atente contra a soberania do Irã.
Anteriormente, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irã divulgou um comunicado afirmando que o Exército iraniano não permitirá qualquer dano à República Islâmica e à segurança do povo. Na sequência, a entidade militar ressaltou que, se os "inimigos do Irã" cometerem mais um erro, receberão uma resposta mais forte e devastadora do que da última vez.
No fim de dezembro, começaram protestos no Irã em meio à desvalorização da moeda local, o rial iraniano. O principal tema das manifestações foram as fortes oscilações da taxa de câmbio e seu impacto nos preços no atacado e no varejo.
Nesse contexto, o presidente do Banco Central do Irã, Mohammad Farzin, renunciou ao cargo. Em seu lugar, por decreto presidencial de 31 de dezembro, foi nomeado Abdolnasser Hemmati.
O Irã atravessa um período de inflação elevada, que chegou a quase 39% ao ano, enquanto o rial se enfraquece rapidamente: nos últimos meses, a moeda quebrou vários recordes negativos frente ao dólar.
Grupos armados circulam nas ruas do país
Em meio à onda de protestos, grupos de militantes armados foram às ruas de uma cidade no norte e no oeste do Irã, disparando rajadas de armas automáticas para o alto e entoando slogans políticos, informou a agência de notícias iraniana Tasnim também nesta sexta.
Um vídeo divulgado pela agência mostra militantes atirando para o alto com metralhadoras nas ruas escuras da cidade de Serbale e gritando em voz alta o slogan "Morte a Khamenei!", em referência ao aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã.
Em outra nota, a agência relata que cidadãos iranianos na cidade de Borjnurd, no noroeste do país, bloquearam vias e interromperam o trânsito na cidade em protesto pelo alto câmbio. Observa-se que o número de participantes nos distúrbios não ultrapassou 100.
Já mídia iraniana noticia que manifestantes estavam atacando forças de segurança do país. Segundo a mídia, , o número de protestos pacíficos no Irã tem diminuído, tornando-se abertamente políticos, com manifestantes entrando em confronto com a polícia de forma organizada e a entoar, cada vez mais, slogans antigovernamentais e pró-monarquia.
A agência informa que os distúrbios estão sendo organizados por pequenos grupos de pessoas armadas com armas brancas, armas de fogo ou coquetéis molotov, que estão atacando prédios administrativos e públicos, incluindo mesquitas.
Pelo menos três pessoas morreram e 17 ficaram feridas em ataques contra a polícia no oeste do Irã. Já no sudoeste do país, pelo menos duas pessoas morreram e vários policiais ficaram feridos.
Incidentes desse tipo foram registrados no norte do país, na capital iraniana, Teerã, e também em Karaj, onde, segundo a Fars, manifestantes queimaram a bandeira iraniana e atiraram pedras em transeuntes, gritando "Morte ao ditador!" e "Esta não é a última batalha – Pahlavi retornará!", referindo-se à dinastia monárquica iraniana de Pahlavi, que caiu com a Revolução Islâmica de 1979.