Fósseis da Geórgia desafiam mito: várias espécies humanas saíram da África há 1,8 mi de anos (FOTOS)
Estudos recentes sobre fósseis encontrados no sítio arqueológico de Dmanisi, na Geórgia, vêm reformulando a compreensão dos cientistas sobre a migração dos primeiros humanos para fora da África, escreve a revista Archaeology News.
A publicação destaca que o novo estudo desafia a teoria há muito estabelecida de que apenas o Homo erectus migrou da África há 1,8 milhão de anos, sugerindo que várias espécies humanas podem ter estado envolvidas.
Dmanisi, ao sudoeste de Tbilisi, revelou os fósseis de hominídeos mais antigos já encontrados fora da África, incluindo crânios e ferramentas do início do Pleistoceno, escavados desde o final da década de 1990.

A variação extrema em suas formas, que vão de graciosas a primitivas, levou os cientistas a estudar o esmalte dentário, mais resistente à distorção ao longo do tempo, para verificar se havia uma espécie com dimorfismo sexual pronunciado ou várias espécies coexistindo.
"Um total de 583 dentes fósseis retirados dos espécimes de Dmanisi, incluindo australopitecos e várias espécies primitivas do gênero Homo, foi examinado utilizando métodos estatísticos de classificação. Essa ampla estrutura comparativa permitiu que os pesquisadores determinassem se os fósseis georgianos se agrupavam ou se alinhavam a diferentes ramos da árvore genealógica humana", ressalta a publicação.
Além disso, o artigo aponta que os cientistas analisaram a área da superfície da coroa dos pré-molares e molares de três indivíduos de Dmanisi que possuíam material dentário suficiente.
De acordo com a reportagem, a análise revelou uma divisão clara: um fóssil de Dmanisi estava mais próximo dos australopitecíneos, ancestrais mais antigos e semelhantes a macacos.
Os outros dois correspondiam aos primeiros membros do gênero Homo, apresentando diferenças que excediam o dimorfismo sexual observado mesmo em grandes primatas, como os gorilas.

Portanto, os pesquisadores concluíram que, há cerca de 1,8 milhão de anos, pelo menos duas espécies humanas coexistiram em Dmanisi.
Se confirmada, essa descoberta implica que as primeiras migrações para fora da África envolveram várias espécies humanas que se adaptaram de maneira independente aos novos ambientes.
Assim, a revista ressalta que esses achados apontam para uma complexidade evolutiva maior do que a anteriormente concebida, sugerindo que o processo de dispersão não foi de exclusividade do Homo erectus.
Por Sputinik Brasil