COMPETITIVIDADE

Europa fica para trás na corrida espacial e nova regulação não deve ajudar, aponta mídia

Publicado em 02/01/2026 às 07:11
© AP Photo / Stephane Corvaja

Enquanto a exploração do espaço ganha importância crescente, a Europa perdeu competitividade nesse setor e não consegue alcançar os líderes da corrida espacial devido a uma abordagem considerada equivocada, afirmou o jornal Bloomberg.

De acordo com a Bloomberg, a dependência da Ucrânia dos satélites Starlink, da empresa norte-americana SpaceX, revelou uma vulnerabilidade estratégica dos países europeus. Isso porque a Europa não consegue competir com uma única empresa dos Estados Unidos que possui mais de 8.000 satélites, explica o texto.

"À medida que o espaço se transforma rapidamente em um campo de batalha crucial, a Europa corre o risco de ficar para trás. Sua abordagem atual para a nova corrida espacial: regulamentar primeiro, competir depois, provavelmente não ajudará", constata a publicação.

Os autores do artigo avaliam que os governos dos países europeus provavelmente criarão regulações rígidas, capazes de dificultar o desenvolvimento de naves espaciais, enquanto o pequeno número de empresas do setor enfrentará problemas relacionados a custos elevados.

"Embora a União Europeia (UE) tenha reconhecido essa lacuna, suas medidas propostas correm o risco de repetir erros cometidos com outras tecnologias avançadas, resultando em regulamentações onerosas, altos custos e um número reduzido de empresas produtivas", afirma o texto.

A publicação menciona a Lei Espacial da UE, formulada explicitamente como uma tentativa de "moldar normas e padrões em todo o mundo" no campo da indústria espacial. O objetivo é harmonizar as políticas espaciais dos países-membros do bloco, além de abordar questões como congestionamento orbital, detritos espaciais e segurança cibernética.

No entanto, observa-se que a Europa enfrenta problemas de controle de custos nesse setor. De acordo com a avaliação da Comissão Europeia, a legislação pode elevar os gastos das empresas de satélites em até 10%.

"[A Lei] cria obrigações onerosas e impõe um peso especial às pequenas empresas. Alguns de seus requisitos são até impossíveis de cumprir com as tecnologias existentes", diz o texto.

Além disso, os autores comparam os custos de foguetes europeus e norte-americanos. O foguete europeu Ariane 6, de uso único e financiado por subsídios significativos, fez apenas alguns lançamentos desde o ano passado, com custo estimado em mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 547,7 milhões) por voo.

Ao mesmo tempo, o foguete reutilizável Falcon 9, da norte-americana SpaceX, completou mais de 160 lançamentos no ano passado e atualmente custa cerca de US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 383 milhões) por lançamento.

"A Europa não conseguiu alcançar competitividade em terra firme por meio da regulamentação, e é improvável que consiga fazê-lo em órbita. Seus líderes devem reconsiderar essa tentativa equivocada enquanto ainda há tempo", conclui a publicação.

Como possível solução, o texto propõe a alteração do projeto de lei para, ao menos, reduzir a carga regulatória sobre as pequenas empresas envolvidas no desenvolvimento espacial.


Por Sputinik Brasil