Pai de acusado de estupro no Sítio Poções grava vídeo nas redes sociais e nega crime: “Meu filho também foi vítima”

O caso da jovem Daniela, que foi dopada, espancada e estuprada em Arapiraca, continua gerando repercussão e mobilização nas redes sociais. Após o pai da vítima vir a público pedir celeridade da Justiça e denunciar a gravidade do crime, o pai do acusado, identificado como Dedeboto, publicou um vídeo de defesa do filho, no qual nega as acusações e afirma que o relacionamento entre os jovens teria sido consensual.
No vídeo, amplamente compartilhado nas redes, Dedeboto se apresenta como pai de Vitinho, jovem de 18 anos apontado como suspeito do crime. Segundo ele, o filho é inocente, trabalhador, nunca teve histórico de envolvimento com drogas ou criminalidade, e teria apenas atendido a um convite da vítima para encontrá-la na data em que tudo aconteceu.
“Meu filho também foi vítima. Ele não tinha intenção de fazer mal a ninguém. Foi a filha dele [da vítima] quem chamou meu filho para sair”, afirmou Dedeboto.
Ele sustenta que os dois jovens já haviam ficado anteriormente e que se conheciam desde a escola. O pai do acusado diz ainda ter "todas as provas", incluindo mensagens e áudios que comprovariam a relação entre os dois, e nega que tenha havido qualquer tipo de violência sexual.
“Ela já tinha ficado com meu filho no dia 27 de novembro. No dia 6 de dezembro, ela chamou ele de novo. Tudo aconteceu de forma consentida.”
Dedeboto reforça que o filho acompanhou a jovem ao hospital após ela passar mal e que, como pai, também se preocupou com o estado de saúde da garota. Em vários trechos do vídeo, ele afirma ter colaborado com os pais da vítima e critica a exposição do caso nas redes sociais, cobrando que a Justiça seja a responsável por avaliar os fatos:
“A Justiça é quem tem que julgar, não a internet. Eu tenho provas e vou apresentar tudo ao juiz.”
Em resposta ao vídeo, internautas se dividiram entre manifestações de apoio e repúdio. Enquanto alguns destacaram o direito à defesa, outros ressaltaram que as declarações tentam desqualificar a vítima e minimizam os laudos médicos e toxicológicos que apontaram a presença de sedativos e traumas físicos graves.
O caso segue sob investigação do Ministério Público de Alagoas (MP-AL) e da Polícia Civil, que apuram todos os elementos, incluindo laudos, depoimentos e registros digitais. A jovem Daniela permanece sob cuidados médicos e enfrenta sequelas neurológicas graves.
A Tribuna do Sertão reafirma seu compromisso com a apuração responsável dos fatos e abre espaço para as versões de todas as partes envolvidas, reforçando a necessidade de que a Justiça atue com celeridade e imparcialidade neste caso de tamanha gravidade.