ORIENTE MÉDIO

Guerra em Gaza não será retomada após 1ª fase do cessar-fogo, diz vice-líder do Hamas à Sputnik

Por Sputinik Brasil Publicado em 03/02/2025 às 23:52
© AP Photo / Ohad Zwigenberg

Conforme a liderança do Hamas, há mais de 60 prisioneiros de guerra israelenses sob o poder do movimento palestino, o que garante que Israel não retomará os confrontos na Faixa de Gaza.

A guerra na Faixa de Gaza não será retomada depois da primeira fase do acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel, afirmou nesta segunda-feira (3) à Sputnik o vice-chefe do escritório político do movimento, Musa Abu Marzouk.

"Eu descarto a possibilidade de que a guerra seja retomada após a primeira fase [do acordo de cessar-fogo]. Não porque [o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu] seja pacífico, mas porque quem lutaria seriam as Forças de Defesa de Israel [FDI], e os prisioneiros restantes são seus militares. No total, há mais de 60 prisioneiros de guerra israelenses", revelou Abu Marzouk.

Para o representante do Hamas, Israel provavelmente aceitará um segundo acordo com o objetivo de garantir a libertação de seus soldados. Além disso, a liderança afirmou que as FDI dificilmente retomarão os combates se isso colocar em risco a vida dos prisioneiros de guerra.

"Portanto, o Exército israelense não lutará enquanto seus companheiros estiverem em cativeiro. Durante todo esse tempo, eles lutaram para libertar mulheres, doentes e civis, mas não conseguiram libertar os militares", acrescentou.

Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, informou que a segunda fase das negociações entre as partes do conflito em Gaza deveria começar nesta semana.

No entanto, fontes da mídia ocidental relataram que Israel não pretende enviar uma delegação de negociadores para Doha para discutir a segunda fase do cessar-fogo com o Hamas.

Netanyahu e a continuidade da guerra em Gaza

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou no último fim de semana em comunicado televisionado que continuará atuando para trazer de volta todos os reféns levados pelo Hamas para a Faixa de Gaza e também atingir todos os objetivos definidos no início do conflito, em outubro de 2023.

"Cidadãos de Israel, nas últimas duas semanas conseguimos libertar 13 dos nossos reféns, bem como cinco cidadãos tailandeses que também estavam detidos pelo Hamas. Continuaremos a agir decisivamente para trazê-los de volta a Israel e alcançar todos os nossos objetivos, os objetivos da guerra", disse Netanyahu no último sábado (1º) após a libertação dos três reféns pelo movimento palestino.

Desde 19 de janeiro, um cessar-fogo está em vigor na Faixa de Gaza como parte de um acordo firmado entre Israel e o Hamas para libertar reféns israelenses em troca de palestinos mantidos em prisões israelenses.

Ao todo, quatro trocas já ocorreram na primeira fase do acordo, que prevê a libertação de 33 reféns israelenses e cerca de mil palestinos presos, em um período de 42 dias. Desde o primeiro dia do cessar-fogo, as entregas de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza aumentaram para 600 caminhões por dia, incluindo 50 que transportaram combustível para o enclave. Entre outras coisas, Israel permitiu que os moradores de Gaza retornassem do sul para o norte do enclave.

Os mediadores do acordo são Catar, Egito e Estados Unidos, que criaram um centro de coordenação no Cairo. No 16º dia da trégua, Israel e o Hamas se comprometeram a iniciar negociações para uma segunda fase do acordo, que incluiria a libertação dos reféns restantes, um cessar-fogo permanente e uma retirada israelense total da Faixa de Gaza. Os mediadores também visam uma terceira etapa, que inclui a troca de restos mortais, a reconstrução da Faixa de Gaza e o fim do bloqueio israelense ao enclave.

Este é o segundo cessar-fogo no conflito: o primeiro foi concluído em novembro de 2023 e durou apenas seis dias. Durante 15 meses de escalada armada entre Israel e o Hamas, 46 mil palestinos e cerca de 1.500 israelenses foram mortos. O conflito se espalhou para o Líbano e o Iêmen e desencadeou ataques com mísseis entre Israel e o Irã.