ESPORTE

Cristiano Ronaldo e seu imortal 2008

Anos incríveis de CR7 no Manchester United superam rivais em votação da Bola de Ouro de todos os tempos.

Por Agência O Globo - Publicado em 29/10/2026 às 16:02
Cristiano Ronaldo e seu imortal 2008 Carlos Rodrigues/Getty Images

Nem mesmo temporadas de 50 e 60 gols com a camisa do Real Madrid ou a concorrência com as oito consagrações do rival Lionel Messi tiraram a convicção dos torcedores que votaram na "Bola de Ouro de todos os tempos", premiação simbólica promovida neste ano junto ao tradicional evento da revista France Football e da Uefa: o ano de 2008 de Cristiano Ronaldo, ainda com a camisa do Manchester United-ING, foi o melhor de um Bola de Ouro em todos os tempos.

Como se trata de uma votação popular, era previsível que o português ou o argentino, donos de bases de fãs gigantes e engajadas, monopolizassem os primeiros lugares — ficaram com 13 das 15 primeiras colocações, afinal. Mas surpreende a força do 2008 de CR7 na memória do torcedor. Um ano em que a rivalidade com Messi ainda era mais sugestão do que realidade.

Aquele 2008 superou, na opinião popular, o sobrenatural 2012 do argentino, ano em que marcou 91 gols e deu 22 assistências em 69 jogos por Barcelona e seleção da Argentina. Também deixou para trás o incrível 2017 do próprio Cristiano, quando foi às redes 53 vezes e concedeu 12 passes para gol em 60 partidas. Perto desses dois anos assombrosos, os números daquele ano de CR7 são tímidos: foram 35 gols e 12 assistências em 58 partidas. Mas a versatilidade e o contexto daquela temporada do português parecem ter se eternizado no imaginário popular.

O moicano e a camisa manga longa

Cristiano Ronaldo completaria 23 anos naquele 2008. Na metade de 2009, já vestiria a camisa do Real Madrid, numa das transferências mais badaladas da história do futebol. Dentro de campo, era um pop star: o moicano, a camisa de mangas compridas sempre puxadas até o antebraço, os acessórios e as poses para cobrar faltas já encantavam os mais jovens que o assistiam e o promoveram a garoto-propaganda das principais marcas e de jogos de videogame da época.

Ele justificava tamanha força de imagem dentro de campo. Numa rara combinação entre jogadores de sua geração, aliava altura, força, poder de drible, um canhão nos pés e uma veia artilheira que levaria para o resto da carreira. A impressão era que poderia fazer tudo em campo. Vencia marcadores com a bola nos pés, pelo alto, em velocidade, aparecia fazendo movimentos diagonais para balançar as redes e, quando a situação ficava mais complicada para o time comandado por Sir Alex Ferguson, tirava da cartola os poderosos chutes de longe, com bola parada ou rolando — em 2009, ganhou o primeiro Prêmio Puskás da história por golaço sobre o Porto em chute a quase 40 metros de distância da baliza.

Entre torcedores e ex-companheiros de Manchester United, estava clara que aquela era a melhor versão de Cristiano no clube. O português, que chegou em 2003 à Inglaterra, já havia disputado uma Copa do Mundo e vivido grandes temporadas — na anterior, quando foi segundo colocado em Bola de Ouro vencida por Kaká, marcou 17 gols na campanha do título da Premier League, o primeiro dos três com o clube. Em 2007/08, ganhou uma aposta com Ferguson ao marcar 31 gols no Inglês, enquanto o treinador o desafiava a marcar mais de 15.

Aquele 2008 uniu a plástica que sempre atraiu os fãs, entusiastas e até os "haters" de Cristiano Ronaldo àquela que seria, na ocasião, a grande conquista de sua carreira: a Champions League. Junto a um ótimo time do Manchester United, que entrou para a história do clube, marcou oito gols naquela edição da competição, na qual se eternizaria anos depois. Abriu o placar na decisão com o Chelsea (1 a 1 e 6 a 5 nos pênaltis) e foi às redes em todas as fases, exceto na semifinal, na qual o United eliminou justamente o Barcelona de Messi — que daria o troco na decisão do ano seguinte.

A história posterior é mais recente e conhecida. Cristiano foi a Madri e entre necessidades físicas, de contexto e de performance, se transformou num jogador com mais presença de área e deixou, pouco a pouco, a versão ponta-direita dos gramados ingleses para trás. É pentacampeão europeu, lenda da seleção portuguesa e vencedor por todos os clubes e grandes ligas pelas quais passou desde então, além de estar cada vez mais próximo dos mil gols oficiais. Mas a magia do moicano e da camisa manga longa vermelha parece eterna na memória dos torcedores.