Bastidores decisivos do treino de Rafael Câmara na F-1
Pernambucano conquistou vaga na equipe Haas após performance no Autódromo de Portimão.
Nos últimos dias de agosto, Rafael Câmara embarcou para Portugal. O pernambucano se viu desafiado a provar sua competência para conquistar uma vaga na Fórmula 1. "Estava bem tenso", revela o brasileiro de 21 anos. No Autódromo de Portimão, no Algarve, ele sentou no cockpit da Haas e teve de superar o italiano Leonardo Fornaroli e o japonês Ryo Hirakawa para convencer Ayao Komatsu, chefão da escuderia norte-americana, de que ele era o nome certo para ser titular da equipe em 2027.
Havia uma série de fatores que poderiam tirar de Câmara a vaga na Fórmula 1. O brasileiro não conhecia tão bem a pista e se acomodava pela primeira vez num carro da Haas, enquanto seus concorrentes já haviam testado aquele mesmo monoposto em outras ocasiões.
"Foram dois, três dias bem intensos. Mais intensos que um fim de semana de corrida. Não é todo dia que você vai fazer um treino para decidir sua carreira", afirma o brasileiro.
Câmara diz que conseguiu ser ele mesmo e aproveitar o momento. "Foco nas coisas que realmente consigo controlar", esclarece. "Toda vez que entrava no carro, tentava maximizar a saída. Fiquei muito contente com o teste pelo trabalho feito em uma situação tão difícil".
Mas foi a busca por soluções em um tempo exíguo que destacou Rafael Câmara. "Ele mostrou que consegue se sair muito bem mesmo com pouco tempo para entender o carro, demonstrando mais do que apenas velocidade pura", destaca Komatsu.
O chefão da Haas foi quem deu a notícia a Rafa Câmara de sua contratação para 2027. "A primeira coisa que eu falei para ele foi: Tem certeza?", brincou o brasileiro.
Depois, o pernambucano partiu em direção aos pais para contar a novidade. Câmara não gosta de se emocionar. Emoção é algo que ele controla. Ao menos tenta. "Falei rápido", conta ele, aguardando o abraço caloroso e o sorriso de aprovação dos pais. "Aí não tem como segurar. Ficamos ali eu, meu pai e minha mãe".
"É realmente uma coisa que você tá trabalhando desde quando consegue se lembrar das coisas. Praticamente com seis anos eu comecei nessa jornada e com tudo incerto, né?", reflete, antes de dar a receita para o sucesso. "Você começa com a paixão. E uma família, com meus pais um pouco malucos de acreditarem e proporcionarem isso para mim", relembra Câmara.
Câmara se julga uma pessoa mais reservada, que foge dos holofotes. Na Fórmula 1, o ambiente é mais midiático do que nas categorias inferiores. "É um mundo diferente da Fórmula 2 e Fórmula 3, tem muito mais coisas e não é só pilotar", observa o piloto. "Talvez isso me tire um pouco da minha zona de conforto, pois sou uma pessoa mais reservada, mas não acho que seja um problema sem solução".
O pernambucano é membro da academia de pilotos da Ferrari e conta com o apoio da escuderia de Maranello. Seu contrato multianual com a Haas é só o começo de uma jornada longa que ele pretende traçar na Fórmula 1.
"Acho que vai ter bastante coisas novas para experienciar, viver, entender como funciona esse mundo da Fórmula 1", diz Câmara. "Com certeza vai ter um momento de adaptação e conhecer como funciona tudo".
Na Haas, Câmara ainda não está totalmente à vontade, abrindo a geladeira ou colocando o pé sobre a mesa. "Sentir-se em casa logo de cara é um pouco difícil", afirma enquanto esboça um sorriso. Ele vai dividir os boxes com o britânico Oliver Bearman e espera lutar por pontos - ainda que distante de vitórias, fato que se tornou rotina na equipe norte-americana.
"Vou aproveitar cada momento e tentar fazer o meu melhor trabalho na pista para deixar vocês orgulhosos", encerra Câmara. Líder do Mundial de Fórmula 2, ele ainda almeja concretizar o título antes de se voltar completamente ao planejamento da Haas.
Depois disso, Câmara tem uma única meta. "Vou fazer tudo que posso e não posso para trazer bons resultados e ser um piloto do qual possam se lembrar".