ESPORTE

Argentina homenageia Messi com vitória em despedida emocionante

Craque encerra trajetória na seleção com goleada sobre Benim e reconhecimento da torcida.

Por Estadao Conteudo Publicado em 06/10/2026 às 22:37
Lionel Messi Reprodução / Instagram

Quando Messi anunciou que se aposentaria da seleção argentina, disse que não tinha mais nada a dar. A noite desta terça-feira, no Monumental del Núñez, mostrou os últimos esforços. Antes mesmo de um golaço, ainda que de pênalti, na vitória por 3 a 0, o camisa 10 era ovacionado como deveria, em um adeus de quem pôde ser chamado de "Dios" depois de Diego Maradona.

Benim, 89º no ranking da Fifa, era o adversário mais fraco dos argentinos nesta Data Fifa. O time de Lionel Scaloni já havia goleado Bolívia (78º) e Burkina (62º), sem Messi. A equipe visitante não quis facilitar. Não houve, no entanto, como apagar a festa.

O gol de Messi fechou o placar. Antes, Nico Paz, apontado como um dos jogadores para o futuro da seleção, havia feito o segundo, com passe do camisa 10. Foi o protagonista, ainda que deu passe para o primeiro, de Nicolas Otamendi, que também se despedia.

Prevista para as 20h, a partida iniciou com quase meia hora de atraso. Uma camisa gigante ficou estendida por mais tempo no meio do gramado, com "Gracias 10" estampado. Ainda faltaria pano para representar a gratidão dos argentinos.

Os indicativos de uma noite especial continuavam. O hino da Argentina, tocado na íntegra e não em um trecho como de costume, levou o técnico Lionel Scaloni às lágrimas. Messi segurou, mas, próximo do fim, soltou as suas também. Em seguida, ouviu pela última vez o goleiro Emiliano Martínez bradar: "Vamos!" enquanto o time desfazia a fila.

No sorteio antes da partida, Messi recebeu presentes das mãos do capitão de Benim, Sessi d'Almeida. O volante se esforçou para trocar o francês pelo espanhol, enquanto entregava uma estátua e uma carta ao homenageado.

O apito inicial foi seguido pelo tradicional trote do craque, alternando com caminhadas. Ele nunca precisou ter pressa, não teria, então, para se despedir. Tocou na bola pela primeira vez somente quando foi cobrar escanteio, curto e que em nada deu.

Pouco depois, chutou pela primeira vez ao gol. O goleiro Marcel Dandjinou cumpriu a promessa de "não dar gols de presente" a Messi. Não que tenha importado para os aplausos e fogos que tomaram o estádio no minuto 10, paralisando a partida.

O personagem principal da noite era procurado pelos companheiros quando estava mais perto do gol. Benim não facilitava. Pelo contrário, a equipe africana arriscou ir ao ataque e levou perigo à meta de Dibu Martínez.

Exemplo de como Messi era procurado veio aos 23 minutos. O camisa 10 entrou pelo centro da área e recebeu cruzamento de Rodrigo De Paul. Não foi na medida. O craque precisou se esticar, chegou a encostar na bola, mas ela triscou a trave e saiu. Aos 32, Lautaro Martínez cruzou de trivela, Messi se jogou na bola, novamente para fora.

O time de Lionel Scaloni não mostrava a melhor organização em campo, como já havia feito nas goleadas sobre Bolívia e Burkina Faso. Justificava-se, hoje, por Messi ser o centro do jogo. Prejudicava o espetáculo e contribuiu para que o intervalo começasse com o placar ainda zerado.

Na volta, a Argentina não chegou a melhorar. Nicolás Otamendi, porém, quis lembrar que ele também se despedia. Messi cobrou escanteio e, no meio da área, entrou o zagueiro, que saltou e bateu de chapa, forte, para abrir o placar, aos cinco minutos do segundo tempo. Pouco depois, foi a vez do camisa 19 ser aplaudido, enquanto era substituído.

Com as atenções de volta ao dono da festa, a Argentina tentava consagrar Messi. A desvantagem não amoleceu Benim, inclusive com faltas táticas para matar ataques argentinos. Do banco, Scaloni fazia trocas, permitindo que outros também se despedissem do 10 em campo.

Numa delas, entrou Nico Paz. O jogador de 22 anos é visto como o futuro da seleção argentina e mostrou o porquê das expectativas. Aos 16 minutos, ele recebeu de Messi, abriu e chutou de fora da área, fazendo 2 a 0 em outro golaço.

O palmeirense Agustín Giay dividiu uma bola na área e foi atingido pelo adversário. O árbitro não hesitou em marcar pênalti. Foi o momento que, de certa forma, todo o Monumental esperava. Com a bola debaixo do braço, Messi aguardou que todos se posicionassem. Na arquibancada, celulares eram sacados e direcionados ao campo.

O relógio marcava 25 minutos do segundo tempo quando Messi bateu forte no ângulo esquerdo do goleiro, que saltou para a direita. O grito da torcida foi trocado por reverências.

Ele quis mais. Um pique que poucos jogadores de 39 anos dão para impedir que a bola saísse na linha de fundo em escanteio. A jogada não deu certo. Depois, Messi recebeu para finalizar de direita, desperdiçando na cara do gol.

O acréscimo no fim do jogo brindou a Messi uma falta frontal, para encerrar o jogo. Pouco atrás da meia-lua, a perna canhota isolou a cobrança. Não importava. Ele era aplaudido.

Messi encerra sua história na seleção argentina com 207 jogos e 126 gols. Conquistou a Copa do Mundo de 2022, a Finalíssima de 2022 e as Copas América de 2021 e 2024. Soma ainda o ouro olímpico de Pequim-2008 e a Copa Sub-20 de 2005.

Visto pelos argentinos como maior jogador da história, Messi continua a carreira agora apenas pelo Inter Miami, da MLS. São 932 gols marcados até aqui. A busca pelo milésimo continua - restam 68.