ESPORTE

MP pede arquivamento de inquérito contra ex-chefe de arbitragem na Itália

Gianluca Rocchi era suspeito de intervir no árbitro de vídeo (VAR)

Por Redação ANSA Publicado em 18/09/2026 às 16:20
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OMinistério Público de Monza pediu nesta sexta-feira (18) o arquivamento do inquérito contra Gianluca Rocchi, ex-chefe de arbitragem da elite do futebol italiano, por supostas interferências no árbitro de vídeo (VAR).

Rocchi era investigado por suspeita de participação em fraude esportiva, assim como o ex-supervisor do VAR Andrea Gervasoni e os ex-árbitros de vídeo Luigi Nasca e Rodolfo Di Vuolo, e havia se afastado do cargo por conta das denúncias.

O MP de Monza, cuja jurisdição engloba Lissone, cidade onde fica a sala de operações do VAR na Itália, apurava fatos envolvendo partidas realizadas entre 2024 e 2025, incluindo uma vitória da Inter de Milão sobre o Verona por 2 a 1 e um triunfo da Udinese sobre o Parma por 1 a 0.

No primeiro caso, a controvérsia girava em torno de uma cotovelada do interista Alessandro Bastoni no adversário Ondrej Duda, contato tido como não faltoso após um diálogo acirrado entre o VAR e o árbitro de campo, terminando com a confirmação do gol decisivo de Davide Frattesi. O lance não foi revisado no vídeo.

No segundo, a sala do VAR teria sido pressionada por Rocchi para chamar o árbitro a revisar um possível pênalti por toque de braço dentro da área, que não havia sido marcado em campo, mas foi confirmado após a intervenção e deu a vitória à Udinese.

No entanto, segundo comunicado do Ministério Público, não há elementos suficientes para apontar uma "natureza fraudulenta da conduta" nem o "dolo específico exigido pela lei", ou seja, comprovar que o objetivo das intervenções no VAR era "alterar o resultado de campo".

"Pelo contrário, em alguns casos, constatou-se que a intervenção externa visava exclusivamente corrigir um erro de campo óbvio e posteriormente reconhecido", salientou o MP de Monza.

Os investigadores afirmaram que o inquérito forneceu um "quadro de criticidades institucionais e organizacionais, marcado por tensões internas, conflitos de governança, preocupações sobre a regulamentação da sala do VAR e riscos decorrentes das relações promíscuas entre órgãos de arbitragem, federação e clubes de futebol".

No entanto, ressaltaram que "esses aspectos podem, no máximo, ser relevantes em outros contextos disciplinares, regulatórios ou político-esportivos", e "não são suficientes para estabelecer processos criminais por fraude esportiva", explicou o Ministério Público.

Em meados de julho, o MP de Milão já havia pedido o arquivamento de outro inquérito criminal contra Rocchi, este por suspeita de fraude na designação de árbitros para quatro partidas da Inter de Milão. A hipótese era de que a escala era preparada para agradar ao clube nerazzurro, porém os investigadores não viram indícios de crime, embora tenham encaminhado o caso à Justiça Desportiva.

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