Corinthians vive crise esportiva e política em meio a derrotas
Eliminação na Libertadores e denúncias marcam momento tumultuado do clube
A eliminação nas quartas de final da Copa Libertadores escancarou o momento ruim do Corinthians. A derrota por 1 a 0 para o Estudiantes, na Neo Química Arena, foi o quinto jogo sem vitória da equipe comandada por Fernando Diniz nas últimas seis partidas. Precisando da vitória em Itaquera após empatar por 1 a 1 na Argentina, a equipe alvinegra foi facilmente controlada pelo rival e finalizou somente nove vezes.
A sequência ruim do Corinthians começou em 23 de agosto, com a derrota por 2 a 1 para o Coritiba, fora de casa, pelo Brasileirão. De lá para cá, a equipe perdeu o clássico para o Santos (1 a 0) e para a lanterna Chapecoense (2 a 1) em casa, e foi derrotada pelo Flamengo, por 2 a 1, no Maracanã, entre os duelos com o Estudiantes.
"Tenho responsabilidade grande. Não conseguimos encontrar soluções, nosso jogo de reestreia foi contra o Remo, jogamos de maneira fluida, atacando e defendendo bem. Depois de sete dias, machucaram no mesmo momento Yuri e André. Tivemos jogos com histórias diferentes. Houve críticas da parte de vocês, concordei com elas. Hoje, faltou mais manejo, mais agressividade", reconheceu Diniz, ao comentar a má fase do Corinthians em entrevista coletiva após a derrota para o Estudiantes.
"Agora, contra Chapecoense e Santos, faltou energia e uma imposição física maior, ser mais ágil, mais agressivo para ganhar os jogos. Tenho responsabilidade porque sou o técnico do time e tenho que arrumar soluções para que o time vença os jogos, principalmente dentro de casa", completou.
Sem competições de mata-mata para disputar até o fim da temporada, cabe ao Corinthians lutar contra o rebaixamento no Brasileirão. O time alvinegro está em 14º, com 32 pontos, somente quatro à frente do Vasco, que abre o Z-4, com 28.
FORA DE CAMPO, CLUBE FERVE POLITICAMENTE
Se as coisas não vão bem dentro das quatro linhas, nos bastidores do Corinthians a situação não é melhor. O clube voltou a entrar em ponto de ebulição com a denúncia do Ministério Público de São Paulo contra o presidente Osmar Stábile por apropriação indébita de R$ 721 mil no caso da empresa Bear Security - ele nega a utilização de recursos para o bem pessoal.
Com a dívida bruta ultrapassando a barreira dos R$ 2,8 bilhões, a diretoria tem enfrentado dificuldades constantes para honrar os compromissos do dia-a-dia, culminando no recorrente atraso de salários do elenco profissional e da comissão técnica. A diretoria ainda não pagou o salário de agosto e tem valores em aberto relativos a bonificações e direitos de imagem. A falta de fluxo de caixa afetou até a modalidade feminina, que vinha sendo a principal vitrine vencedora da instituição nos últimos anos.
O Corinthians fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 246 milhões, acima dos R$ 138 milhões projetados para este período no orçamento para a temporada. Sem a venda de atletas e premiações que compensem a falta de recursos, a tendência é que o clube encerre o ano com um rombo acima dos R$ 150 milhões.
Outro tema que bota lenha na fogueira da política corintiana é a aproximação das eleições no clube, marcada para 28 de novembro. No próximo sábado, 19, os associados se reúnem em assembleia para votar importantes mudanças no estatuto. Entre os temas estão a possibilidade de voto ao Fiel Torcedor e a regra de transição, que possibilita Osmar Stábile a se reeleger.