FUTEBOL

Investidor diz que holding avaliou mal 'dinâmica política' da Fifa

CEO da Thrive rompeu silêncio sobre controverso projeto da entidade

Por Redação ANSA Publicado em 31/08/2026 às 16:45
CEO da Thrive rompeu silêncio sobre controverso projeto da entidade © ANSA/AFP

O investidor Joshua Kushner, CEO da Thrive Capital, holding cotada pela Fifa para liderar uma estrutura destinada a atrair investimentos privados para competições da entidade, admitiu que a empresa "não compreendeu a dinâmica política do futebol mundial".

O empresário americano, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a ideia de que a iniciativa tivesse como objetivo assumir o controle da Fifa.

"Era uma ideia sobre a qual cada Associação Membro votaria, não uma obrigação ou determinação. Embora apoiemos as motivações da FFE, não conseguimos compreender a dinâmica política do futebol global e até onde alguns chegariam. A Thrive tem um longo histórico de parceria com todos os seus constituintes. Se soubéssemos no que isso se transformaria, não teríamos nos envolvido", escreveu Kushner.

Essa foi a primeira vez que o investidor falou publicamente sobre seus esforços frustrados para ajudar na criação de uma nova subsidiária comercial para a entidade máxima do futebol mundial, que envolveria aproximadamente US$ 4,2 bilhões em investimentos privados.

"Historicamente, o dinheiro no futebol tem se concentrado em um pequeno grupo de países. A ideia por trás da FFE era direcionar mais capital e participação acionária de forma igualitária entre os 211 países membros, proporcionando um investimento significativamente maior em nações subdesenvolvidas para nutrir talentos locais, apoiar o futebol de base, aprimorar a experiência dos torcedores e, em última instância, expandir o futebol globalmente", acrescentou.

A proposta, conhecida como Fifa Forward Enterprise (FFE), provocou uma reação pública imediata, a ponto de diversas entidades pressionarem o órgão internacional a abandonar a iniciativa.

Kushner, cuja empresa é conhecida por realizar grandes investimentos em companhias de tecnologia e por um acordo recente para adquirir o controle majoritário do Los Angeles Lakers, tradicional equipe da NBA, é descrito como um democrata de longa data, ao contrário do irmão.

O projeto rejeitado previa que a Fifa transferisse seus ativos geradores de receita, incluindo direitos de transmissão televisiva, contratos de patrocínio, licenciamento e venda de ingressos, para uma nova entidade. A Thrive seria a empresa âncora do negócio, com consultoria do JPMorgan Chase.