CIÊNCIA

Astrônomos descobrem exoplaneta oceânico em rota de destruição

HD 176071 b, a 335 anos-luz da Terra, é um exemplo de mundo aquático condenado por marés extremas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/08/2026 às 12:28
Astrônomos detectam HD 176071 b, um exoplaneta oceânico em rota de destruição por forças de maré. © Foto / Robert Lea (created with Canva)

Graças ao avanço tecnológico, astrônomos foram capazes de descobrir um exoplaneta oceânico orbitando tão perto de sua estrela que ao sofrer forças de maré extremas, caminha para uma destruição inevitável.

Astrônomos identificaram um exoplaneta oceânico que orbita perigosamente perto de sua estrela, submetido a forças de maré tão intensas que está condenado a uma evolução orbital rápida rumo à destruição. Nomeado HD 176071 b e localizado a 335 anos‑luz de distância, o exoplaneta tem duas vezes e meia o tamanho da Terra e cerca de oito vezes e meia sua massa, composição que sugere um mundo formado por aproximadamente 50% de água.

A apenas 2,4 milhões de quilômetros de sua estrela (o equivalente a 1,6% da distância entre a Terra e o Sol) e com um ano de 14 horas, o planeta é um raro "mundo de água quente". Essa proximidade extrema gera marés violentas que o arrastam inexoravelmente para um encontro fatal, no qual será engolido pela estrela hospedeira.

Os dados de trânsito são ricos em informações. Ao medir a profundidade da queda de brilho e conhecer o tamanho da estrela, os cientistas podem determinar o tamanho ou raio do planeta. O período orbital do planeta pode ser determinado medindo o tempo decorrido entre os trânsitos. Uma vez conhecido o período orbital, a Terceira Lei de Kepler do Movimento Planetário pode ser aplicada
Os dados de trânsito são ricos em informações. Ao medir a profundidade da queda de brilho e conhecer o tamanho da estrela, os cientistas podem determinar o tamanho ou raio do planeta. O período orbital do planeta pode ser determinado medindo o tempo decorrido entre os trânsitos. Uma vez conhecido o período orbital, a Terceira Lei de Kepler do Movimento Planetário pode ser aplicada

HD 176071 b também ocupa o chamado "Deserto Netuno", região onde quase não há planetas do tamanho de Netuno em órbitas tão próximas. Normalmente, a radiação estelar destruiria suas atmosferas, mas este mundo aquático desafia a regra porque possui uma atmosfera dinâmica, com nuvens densas e altamente reflexivas que evoluem continuamente.

A descoberta foi possível graças à comparação entre dados antigos do Kepler e novas observações do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS, na sigla em inglês), que revelaram mudanças inesperadas na luz refletida pelo planeta. Essas variações indicam uma atmosfera viva, com padrões climáticos em constante transformação ao longo das regiões mais frias.

O método de detecção também é incomum. A maioria dos mais de 6.000 exoplanetas confirmados pela NASA foi descoberta por trânsito, quando o planeta passa diante da estrela. HD 176071 b não transita, tornando‑o invisível por métodos tradicionais e exigindo abordagens alternativas.

A equipe detectou o planeta observando pequenas flutuações no brilho da estrela causadas pela luz refletida pelo exoplaneta, que é sincronizado rotacionalmente — sempre mostrando o mesmo lado para a estrela. Instrumentos como o HARPS‑N permitiram medir essas variações com precisão suficiente para revelar sua estrutura e atmosfera.

A descoberta demonstra que técnicas modernas já permitem identificar e caracterizar mundos que não transitam, abrindo acesso a populações planetárias antes praticamente inacessíveis e ampliando o alcance da busca por exoplanetas complexos além do Sistema Solar.