Seis federações árabes apoiam reeleição de Infantino em meio a crise na FIFA
Dirigentes reafirmam confiança no presidente da FIFA após retirada de plano de vendas de cotas da Copa do Mundo.
Os dirigentes de seis federações árabes de futebol expressaram seu apoio total e confiança em Gianni Infantino nesta quinta-feira, enquanto o pressionado presidente da FIFA luta para manter o cargo após o fracasso de seu plano de investimento privado para a Copa do Mundo.
O suporte veio do Marrocos (coanfitrião da Copa de 2030), Catar, Egito, Mauritânia, Líbano e Sudão; quatro dos signatários são membros do Conselho da FIFA.
"Nós, os líderes abaixo-assinados de nossas respectivas associações de futebol, expressamos nosso total apoio ao Sr. Gianni Infantino, presidente da FIFA, e reafirmamos nossa confiança em sua liderança e em seu compromisso contínuo com o desenvolvimento do futebol em todo o mundo", dizia o comunicado. "Apreciamos profundamente os esforços constantes do Sr. Infantino para promover o futebol globalmente, ampliar oportunidades em todas as regiões e fortalecer o papel do esporte em unir pessoas e comunidades."
O manifesto afirmava que os signatários "esperam continuar nossa estreita cooperação com ele em prol de um futuro mais forte e próspero para o futebol mundial, ampliando oportunidades e aumentando ainda mais a contribuição do futebol árabe para o esporte global".
Infantino enfrenta uma revolta após seu plano de vender participações na Copa do Mundo para investidores de capital privado. Ele retirou a proposta de US$ 20 bilhões após uma reação furiosa de dirigentes do futebol mundial, incluindo a entidade europeia UEFA, que alertou sobre um possível boicote a todos os jogos e eventos da FIFA.
A UEFA uniu-se à Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e Caribe) e à AFC (Confederação da Ásia) e divulgou uma carta aberta na segunda-feira afirmando que o plano de Infantino representava uma "quebra fundamental de confiança" e descrevendo-o como um "engano".
Além disso, na quinta-feira, a Associação de Futebol da Irlanda declarou que retirou seu apoio à reeleição de Infantino como presidente da FIFA em março, afirmando que "eventos recentes levantaram preocupações significativas em relação à governança, transparência e à falta de consulta adequada".
As federações de futebol da Inglaterra e do País de Gales fizeram o mesmo na semana passada, enquanto a Irlanda do Norte declarou apoio à posição da UEFA.
BLOCO ASIÁTICO
Ao expressarem apoio a Infantino, Catar e Líbano alinharam-se contra a Confederação Asiática de Futebol. A conta oficial de Infantino no Instagram já havia publicado cartas de apoio de várias federações-membro, incluindo as do Marrocos, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.
Entre os signatários, quatro eram membros do Conselho da FIFA: o presidente da Associação de Futebol do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani; o presidente da Associação de Futebol do Egito, Hany Abo Rida; o presidente da Federação de Futebol do Marrocos, Fouzi Lekjaa; e o presidente da Federação de Futebol da Mauritânia, Ahmed Yahya.
Os outros dois eram o presidente da Associação de Futebol do Líbano, Hashem Haidar, e Moatasem Gafar, presidente da Associação de Futebol do Sudão.
Infantino ocupa a presidência da FIFA desde 2016 e parecia ter sua reeleição garantida, sem concorrentes, no próximo ano, no Marrocos. A entidade que comanda o futebol no planeta estabeleceu o dia 18 de novembro como prazo limite para a apresentação de eventuais oponentes.