ESPORTES

Secretária reforça importância da Copa Feminina para o futebol nacional

Juliana Agatte destaca o impacto do torneio no turismo e na valorização do futebol feminino.

Por Estadao Conteudo Publicado em 05/08/2026 às 18:52
A Secretária Extraordinária para a Copa Feminina, Juliana Agatte Reprodução / Gov

A Copa Feminina movimentará o Brasil e as discussões sobre sua relevância para o esporte nacional já estão em andamento. A Secretária Extraordinária para a Copa Feminina, Juliana Agatte, afirmou que o torneio pode gerar importantes impactos no turismo, uma vez que será realizado no "país do futebol". Contudo, ela criticou o fato de que essa paixão nacional ainda não inclui de forma significativa o futebol feminino.

Durante o painel Copa do Mundo Feminina Fifa 2027, que fez parte da programação do Summit Mulheres nas Profissões e foi mediado pela jornalista Anne Lottermann, estiveram presentes representantes de diversas entidades esportivas e a ex-jogadora Formiga, discutindo o legado que o torneio trará para o Brasil.

"Tudo que a gente pode trazer do turismo internacional para consumir o futebol em um território que é paixão nacional. E que essa paixão nacional hoje tem um teto, porque não dá para falar em paixão nacional somente considerando a valorização do futebol masculino. É necessário ampliar essa perspectiva também para o feminino. Conversar sobre a Copa do Mundo de Futebol Feminino nos permite romper uma bolha e avançar neste momento que combina resistência e legado", declarou Juliana durante o evento.

A Diretora Executiva de Futebol Feminino da Federação Paulista de Futebol, Kin Saito, ressaltou a importância de compreender o passado e a história do futebol feminino no Brasil como essenciais para um futuro promissor.

"Aline Pellegrino sempre menciona que a proibição do futebol feminino fez com que não nos enxergássemos em outras funções dentro da modalidade. Não queriam a nossa presença em campo e dificultavam a possibilidade de sermos treinadoras, árbitras, narradoras ou gestoras", afirmou.

O Campeonato Paulista é considerado o torneio mais tradicional de futebol feminino no Brasil. Para a diretora, essa trajetória começou há muitos anos e agora serve como um modelo a ser replicado em outras regiões do país.

"Desde 1987 começaram a ser desenvolvidas competições. Portanto, se um clube realiza um trabalho diuturno para revelar talentos como a Formiga, é necessário que exista o que jogar. Assim, uma vez que se tem competições, o cenário se torna frutífero, pois o Brasil é um país rico em talentos", destacou.

Kin Saito ainda comentou que, após uma década de atuação do departamento de futebol feminino na federação, constatou-se que atualmente há mais meninas em categorias de base jogando futebol do que mulheres na categoria adulta.

A ex-jogadora Formiga enfatizou a importância da criação de cursos e treinamentos que auxiliem ex-atletas a promoverem o esporte em suas localidades, melhorando as condições que enfrentaram durante suas carreiras.

"Precisamos incluir um número cada vez maior de ex-atletas, garantindo que em cada estado exista uma atleta pioneira disposta a fomentar o futebol feminino local, apoiada por cursos que ofereçam essa formação. Isto é crucial para que possamos passar o bastão, preparando as futuras gerações para continuarem esse trabalho", disse.

Em entrevista ao Estadão, Formiga expressou que, mesmo fora dos gramados, ainda se sente parte do processo. Com humor, a diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte comentou que ainda espera ver seu nome na lista do técnico Arthur Elias e que jogaria "facilmente" no Mundial.

"É uma alegria fazer parte desse processo. É um sonho que parecia distante, mas agora é uma realidade. Não sei onde estarei, mas não é possível negar que a Formiga e as pioneiras fazem parte dessa história", completou.

Formiga também reforçou a importância do respeito entre as gerações para uma maior valorização do esporte no país.

"É essencial respeitar a história que foi construída, para que as jogadoras atuais tenham o privilégio de jogar em casa. Esperamos que esse respeito se estenda a todas as mulheres que batalharam, tanto dentro quanto fora dos campos, pois a luta continua. Sediar grandes eventos do futebol feminino em nosso país é uma conquista, mas devemos garantir que esse legado permaneça para sempre. A geração atual deve entender que a história de hoje será lembrada por aqueles que conhecem o futebol feminino", concluiu.

A Coordenadora de Seleções Femininas da CBF, Cristiane Gambaré, expressou sua honra em sediar e planejar esse torneio. "É uma gratidão estarmos realizando a Copa do Mundo no Brasil. Para nós, isso é um estímulo e uma responsabilidade em nosso planejamento", disse.

Gambaré também comentou sobre o impacto do torneio nas categorias de base. "A movimentação nas categorias de base tem enfrentado desafios, mas a Copa do Mundo surgirá como uma oportunidade de alavancar o interesse pelo futebol feminino, tanto nas federações quanto nos clubes. É um movimento positivo, e agora é preciso implementar isso cuidadosamente para garantir que os resultados sejam duradouros e que possamos nutrir a seleção", afirmou durante o painel.

O Summit Mulheres nas Profissões, promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, acontece entre os dias 4 e 5 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, reunindo profissionais de diversas áreas e servindo como um ponto de encontro para discussões focadas no desenvolvimento de carreiras, liderança feminina, empreendedorismo, inovação e o futuro do trabalho.

Detalhes sobre a programação e ingressos devem ser conferidos no site oficial do evento summitmulheresprofissoes.com.br.