FUTEBOL

Franco Baresi, lenda do Milan e campeão mundial pela Itália, morre aos 66 anos

Ícone rossonero foi um dos maiores defensores da história do futebol

Por Redação ANSA Publicado em 31/07/2026 às 10:57
Baresi disputou final da Copa do Mundo de 1994 contra o Brasil © ANSA/AFP

O ex-jogador italiano Franco Baresi, um dos maiores zagueiros da história do futebol mundial e eterno capitão do Milan, morreu aos 66 anos, anunciou o clube milanês nesta sexta-feira (31).

O craque já estava com a saúde debilitada desde 2025, quando foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um nódulo pulmonar.

Em uma mensagem publicada nas redes sociais, o Milan lamentou profundamente a perda de um de seus maiores símbolos e afirmou que sua própria história está "em lágrimas".

"A história do Milan está em lágrimas pela morte de Franco Baresi. Seu exemplo e sua profundidade serão, para sempre como sua camisa número 6, parte integrante e fundamental do DNA e do caminho de todo o clube", escreveu a equipe, da qual ele havia se tornado vice-presidente honorário em 2020.

Baresi nasceu em 8 de maio de 1960 e construiu praticamente toda a sua vida esportiva com a camisa rossonera. Chegou às categorias de base do Milan em 1974, aos 14 anos, e estreou profissionalmente na Série A em 23 de abril de 1978, aos 17, na vitória por 2 a 1 sobre o Verona.

Pouco tempo depois, tornou-se uma das principais referências da equipe. Aos 22 anos, assumiu a braçadeira de capitão, que carregaria por cerca de 15 anos. Ao todo, ele disputou 719 partidas pelo Milan, permanecendo no clube durante toda a carreira profissional.

A trajetória de Baresi atravessou diferentes gerações e alguns dos maiores treinadores da história do futebol italiano, entre eles Nils Liedholm, Arrigo Sacchi e Fabio Capello.

Pelo Milan, conquistou seis Campeonatos Italianos, três Copas dos Campeões da Europa — atual Liga dos Campeões —, duas Copas Intercontinentais, quatro Supercopas da Itália e três Supercopas da Europa.

Mais do que os troféus, porém, Baresi tornou-se referência pela maneira como interpretava a posição. Como zagueiro, destacava-se pela capacidade de antecipação, leitura de jogo, precisão nos passes e liderança.

Sua atuação ajudou a transformar a função de defensor em uma peça fundamental para a construção das jogadas. O italiano foi companheiro de grandes nomes como Gianni Rivera, Paolo Maldini, Marco van Basten e tantos outros craques que marcaram época no Milan.

Mesmo em uma equipe repleta de estrelas, Baresi conseguiu se tornar um dos maiores protagonistas. Em 1989, sua importância chegou a um dos pontos mais altos quando terminou como vice-campeão da Bola de Ouro, em uma época na qual era extremamente raro um defensor figurar entre os principais candidatos ao prêmio.

Em 1999, no centenário do Milan, os torcedores o elegeram o "Milanista do Século". A camisa número 6, usada por ele durante sua trajetória, foi aposentada pelo clube após sua despedida dos gramados, em 1997.

Baresi também enfrentou momentos difíceis ao lado do Milan. O clube foi rebaixado para a segunda divisão em 1980 e novamente em 1982, mas o capitão permaneceu fiel à equipe.

Pela seleção italiana, Baresi disputou 81 partidas e participou de três Copas do Mundo: 1982, 1990 e 1994. Em 1982, na Espanha, integrou o elenco que conquistou o Mundial, embora não tenha entrado em campo durante a competição.

Doze anos depois, teve a oportunidade de disputar uma final de Copa do Mundo. Em 1994, nos Estados Unidos, Baresi foi titular contra o Brasil na decisão disputada em Pasadena, na Califórnia, depois de se recuperar de uma lesão no joelho.

A partida terminou empatada em 0 a 0 e foi decidida nos pênaltis. O Brasil conquistou o tetracampeonato, enquanto Baresi ficou marcado pelas imagens emocionantes após a derrota italiana.

Sua última aparição pública ocorreu em uma participação simbólica no palco que foi sua casa durante toda a carreira. Em fevereiro de 2026, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, ele esteve no San Siro carregando a tocha olímpica ao lado de Beppe Bergomi. A presença dos dois ídolos, representantes de Milan e Inter, respectivamente, emocionou o futebol italiano.

Conhecido na juventude pelo apelido "Piscinin", Baresi rapidamente deixou para trás a imagem do garoto franzino e, com o tempo, ganhou um apelido muito mais grandioso: "Kaiser", em referência a Franz Beckenbauer, outro gigante que transformou a posição.