Presidente do Conselho do São Paulo é indiciado por falsidade ideológica
Olten Ayres de Abreu Júnior nega as acusações do relatório da Polícia Civil.
A Polícia Civil indiciou Olten Ayres de Abreu Júnior , presidente do Conselho Deliberativo de São Paulo, por crime de falsidade ideológica . A conclusão consta do relatório final do inquérito, obtido pelo delegado Tiago Fernando Correia e encaminhado à Justiça e ao Ministério Público na segunda-feira, 20.
O indiciamento é a conclusão da fase de inquérito, de natureza pré-processual – não se trata de especificação. Caberá ao MP decidir sobre uma possível denúncia, e ao Judiciário julgar o caso. Olten nega as acusações nos autos do inquérito.
Segundo o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que contribuiu a investigação, Olten arquitetou um "parecer" atribuído ao Conselho Consultivo - órgão de ex-dirigentes conhecido como "Conselho dos Cardeais" - favorável a uma reforma do estatuto que abriria caminho para converter o clube em SAF.
A polícia sustenta que o texto foi redigido pelo advogado externo Guilherme Salutti , a pedido de Olten, e circulado para colher assinaturas do presidente do Consultivo, José Eduardo Mesquita Pimenta , e do secretário, Ives Gandra da Silva Martins . Segundo a autoridade, não houve reunião, convocação ou ato sobre o tema.
O Sport Insider procurou Olten Ayres de Abreu Júnior, na tarde desta quinta-feira, minutos depois de ter acesso à cópia do relatório do indiciamento, e ainda não obteve resposta. Este texto será atualizado assim que houver posicionamento.
Entenda a precipitação
O crime, segundo o relatório, é a afirmação de deliberação colegiada que nunca ocorreu. O advogado confirmou ter elaborado a minuta do pedido de Olten, e um terceiro conselheiro afirmou que o colegiado não se reuniu em dezembro de 2025.
Para a polícia, o documento foi assinado por dois conselheiros e devolvido em cerca de duas horas e 21 minutos – ritmo incompatível com a complexidade do tema.
Depois, os dois signatários negaram por e-mail qualquer reunião formal, declararam que o texto refletia apenas "conversas isoladas" e renunciaram ao colegiado, gesto que o delegado lê como repudiar às assinaturas. As mensagens de WhatsApp entre advogados e investigados, Salutti e Ayres de Abreu, não foram recuperadas.
O relatório dá peso ao encadeamento dos dados. Em 15 de dezembro de 2025, o ge divulgou áudios sobre suposta exploração ilegal de camarotes, o que deflagrou uma crise de governança. No dia seguinte, o veículo noticiou a iminência de uma reforma estatutária; em 17 de dezembro, a proposta foi formalizada por Julio Casares . Para a polícia, a sequência sugere uma estratégia de contenção de danos.
Olten sustentou no depoimento à polícia que a manifestação do Consultivo era meramente opinativa e não vinculante, o que esvaziaria a relevância penal do caso, e preferiu classificar o documento como "opinião", não "parecer".
Em relação à defesa apresentada pelo dirigente, o delegado rebateu: o próprio Olten usou a palavra "parecer" no ofício de encaminhamento e permitiu que a mudança de quórum visava à transformação empresarial.
O inquérito segue para o Ministério Público, que decidirá se oferece a denúncia. Se houver um processo, a defesa poderá apresentar argumentos e provas à Justiça.