Corinthians retorna sem ritmo e com incertezas após pausa para a Copa
A equipe enfrenta questões financeiras e busca a renovação do contrato de Memphis Depay.
A pausa no futebol brasileiro devido à Copa do Mundo de 2026 modificou a rotina do Corinthians, tanto dentro quanto fora de campo. Após a última rodada do Campeonato Brasileiro, no fim de maio, o elenco principal teve 25 dias de recesso, retornando ao CT Dr. Joaquim Grava no fim de junho. Desde então, o período de preparação foi marcado por ajustes táticos proporcionados pelo técnico Fernando Diniz, um amistoso para recuperar o ritmo de jogo e mudanças estruturais na Neo Química Arena.
Enquanto a comissão técnica aproveitou a intertemporada para trabalhar em maior proximidade entre os jogadores e aprimorar as finalizações, a diretoria alvinegra teve que lidar com questões que podem impactar diretamente o planejamento para o restante da temporada. O clube acumula quatro punições de transfer ban, totalizando dívidas superiores a R$ 23 milhões, e está impossibilitado de registrar novos jogadores.
A situação também impacta o futuro de Memphis Depay. O atacante tem contrato com o Corinthians até o dia 31 de julho e está negociando a renovação com a diretoria. Embora haja otimismo em relação a um novo acordo, o clube necessita resolver as pendências financeiras para assegurar a inscrição do jogador holandês, caso o novo vínculo seja assinado após a data de encerramento do contrato atual.
RETORNO AOS TREINOS E MUDANÇAS NO TIME
Com 43 dias sem jogos oficiais, o Corinthians utilizou a intertemporada para recuperar a condição física dos atletas e implementar conceitos que Diniz pretende aplicar. A comissão técnica focou especialmente em um estilo de jogo que prioriza a aproximação entre os jogadores, além de realizar atividades voltadas para finalizações e a formação de um novo meio-campo.
O planejamento também considera possíveis perdas de jogadores jovens para o futebol europeu. Com a janela de transferências ativa, a comissão técnica busca alternativas para o setor, preparando o elenco para eventuais alterações durante a temporada.
O primeiro teste após a paralisação ocorreu no dia 12 de julho, em um amistoso contra o Cascavel, no Paraná, que terminou em empate de 1 a 1. Matheus Pereira marcou para a equipe paulista no segundo tempo, mas o time viu o empate surgir após uma falha defensiva de Charles, que atuou improvisado na zaga.
A partida serviu como oportunidade para Diniz observar diferentes formações. Com a permissão de substituições ilimitadas, o treinador utilizou escalações distintas em cada etapa, proporcionando minutos a uma maior parte do elenco antes do retorno das competições oficiais.
NEO QUÍMICA ARENA GANHA NOVO GRAMADO
A pausa também possibilitou ao Corinthians realizar uma intervenções significativas na Neo Química Arena. O clube aproveitou o período sem jogos para promover a primeira troca completa do solo do estádio durante o inverno brasileiro.
O trabalho, realizado pela empresa World Sports, estava inicialmente planejado para a virada do ano, mas foi adiado em função do calendário. A expectativa é recuperar o padrão de qualidade apresentado nos primeiros anos da arena e melhorar as condições de rolagem da bola.
A intervenção também está ligada à manutenção do gramado de ryegrass. O primeiro teste oficial da nova superfície está programado para esta quinta-feira, 23, quando o Corinthians enfrentará o Remo pelo Campeonato Brasileiro.
QUATRO TRANSFER BANS PRESSIONAM O CLUBE
No ambiente administrativo, a situação financeira continua sendo um dos principais obstáculos para o planejamento do Corinthians. O clube enfrenta quatro punições de transfer ban, que impedem o registro de novos atletas e estão relacionadas a dívidas que ultrapassam R$ 23 milhões.
Uma das pendências é com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez em 2024, cujo débito é em torno de R$ 7,5 milhões.
O clube também enfrentou uma nova penalização em relação ao Midtjylland, da Dinamarca, devido a atrasos no pagamento da terceira parcela da contratação de Charles, que soma cerca de R$ 6 milhões.
Adicionalmente, há uma multa disciplinar imposta pela FIFA, no valor de aproximadamente US$ 225 mil, equivalente a R$ 1,1 milhão, referente à inadimplência em negociações com Martínez, Charles e Talles Magno.
No âmbito nacional, o Corinthians também está sob um bloqueio determinado pela CNRD, órgão vinculado à CBF, devido ao atraso no pagamento da quinta parcela de um acordo interno de dívidas. Essa punição tem duração prevista de seis meses e envolve cerca de R$ 8 milhões.
RENOVAÇÃO COM MEMPHIS DEPAY É VISTA COM OTIMISMO
A situação de Memphis Depay se tornou uma prioridade para o Corinthians durante a pausa. O contrato do atacante holandês se encerra em 31 de julho, e o clube está se empenhando para selar um novo acordo com o camisa 10.
As negociações estão sendo conduzidas pelo diretor executivo de futebol, Marcelo Paz, que apresentou uma proposta com um modelo distinto de remuneração, buscando combinar uma redução nos vencimentos fixos com receitas oriundas de marcas próprias, eventos e ações comerciais.
A disposição de Memphis em aceitar a diminuição do salário fixo aumentou o otimismo da diretoria em relação à permanência do jogador. O novo vínculo está sendo planejado para durar até meados de 2028.
O problema, no entanto, reside no transfer ban. Se a renovação for assinada após 31 de julho, o Corinthians não poderá registrar o novo contrato até que as dívidas que resultaram nas punições sejam quitadas.
Importante mencionar que Memphis ainda não retornou ao Brasil após a participação na Copa do Mundo e será desfalque no confronto contra o Remo, nesta quinta-feira, às 19h30 (de Brasília), na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro.