ASTRONOMIA

Descoberta da primeira lua fora do Sistema Solar

Objetos celestes observados em sistema com anã marrom geram discussão sobre definições astronômicas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/07/2026 às 02:18
Astrônomos detectam primeira lua fora do Sistema Solar, orbitando uma anã marrom. © Foto / NASA

Uma possível lua fora do nosso Sistema Solar foi detectada pela primeira vez. Com massa semelhante à de Júpiter, ela gira ao redor de um corpo celeste maior que um planeta, porém menor que uma estrela, a anã marrom CD-35 2722.

A descoberta, liderada por pesquisadores da Universidade Diego Portales, no Chile, em parceria com cientistas europeus, foi publicada na revista Nature, nesta quarta-feira (22), e reacendeu o debate sobre as definições tradicionais de "lua" e "planeta".

O objeto pode ser considerado uma lua apenas caso a anã marrom seja classificada como um planeta. O sistema da possível lua com CD-35 2722 B foi observado pelo telescópio Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, no Chile.

A anã marrom CD-35 2722 B foi monitorada entre outubro de 2023 e fevereiro de 2026 usando a técnica de velocidade radial, que detecta pequenas oscilações em um objeto ocasionadas pela atração gravitacional de um corpo em órbita.

A presença da possível lua foi identificada devido a alterações no movimento da anã marrom causadas pela gravidade dela ao circundá-la, levando 170 dias para completar uma órbita exata, bem mais que os cerca de 27 dias da órbita da lua ao redor da Terra.

Se orbitasse uma estrela, seria classificado como um exoplaneta. No entanto, ele orbita uma anã marrom, um corpo subestelar, "maior que um planeta, mas pequeno demais para ser uma estrela", que por sua vez orbita uma estrela.

O sistema é uma hierarquia de três níveis, a cerca de 73 anos-luz da Terra.

Os astrônomos planejam novas observações para confirmar a órbita e a massa exata do objeto e detectar exossatélites menores para consolidar esse campo de estudo. Independentemente do nome que receberá, a descoberta abre uma janela para a diversidade e a formação de sistemas planetários muito diferentes do nosso, sugere o estudo.