ESPORTE

Ana Marcela Cunha estabelece recorde sul-americano na travessia do Canal da Mancha

Nadadora brasileira completou a distância de 43 km em 8h25m29s, o melhor tempo registrado até agora.

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/07/2026 às 12:20
Ana Marcela Cunha Agência Brasil

A multicampeã Ana Marcela Cunha atingiu mais um feito em sua carreira ao concluir a travessia do Canal da Mancha, nesta quarta-feira, 22, aos 34 anos. A nadadora percorreu 43 quilômetros em 8h25m29s, estabelecendo um novo recorde sul-americano tanto entre homens quanto mulheres.

Após o feito, Ana Marcela não conteve a satisfação pelo resultado e compartilhou suas impressões sobre o percurso. “Foi um momento de curtição. Independente de todos os fatores, de onda que teve, de umas três caravelas que eu peguei, mas graças a Deus não foi nada que me prejudicou, só uns encontros ali bem tranquilos. Nada demais. Já tinha experiência de nadar provas longas. Isso me trouxe bastante tranquilidade, de conhecer bastante o mar, saber para onde eu estava indo, sentir a correnteza. Acho que isso me deixou mais tranquila. Estou cansada, mas muito feliz e realizada”, afirmou a nadadora.

O trecho que liga as cidades de Dover, na Inglaterra, e Calais, na França, é considerado o mais difícil da natação em águas abertas, devido à imprevisibilidade climática e intensas correntes marítimas. Ana Marcela concluiu sua travessia no segundo dia do período estipulado, que vai de 20 a 29 de julho.

Em abril, em entrevista ao Estadão, Ana Marcela revelou a importância desse percurso em sua trajetória como atleta. “Vejo o Canal da Mancha como algo que vai muito além do esporte de alto rendimento, das vitórias ou das conquistas habituais. Para um nadador, esse desafio é comparável a um corredor brasileiro que decide fazer a São Silvestre ou uma das grandes maratonas de 42 km. É um sonho e uma realização pessoal tão profunda quanto ganhar o ouro olímpico ou ser campeã de diversas etapas da Copa do Mundo. Acima de tudo, é a realização da Ana Marcela pequenininha, aquela que com apenas 8 anos nadou sua primeira prova no mar, de 400 metros.”

A travessia possibilitou à brasileira enxergar outra face da maratona aquática, não visando apenas medalhas em torneios. “Eu não trato isso como uma prova ou competição tradicional, pois não haverá a disputa direta por posições”, comentou.

Devido às condições climáticas e limitações para validar o recorde, como a proibição de roupas térmicas, o corpo precisa ser preparado de diversas formas. Ana explicou: “É tudo muito bem estudado com o nutricionista e o técnico. Normalmente eu nado competições de 10 km com 65 kg, que é meu peso ideal, mas hoje estou com 69 kg para segurar o peso, pois a nossa gordurinha aqui (aponta para a barriga) é a nossa capa. Também passamos lanolina, que é uma gordura de ovelha, que ajuda a segurar a temperatura.”

Na ocasião, Ana não mirava um recorde, mas sim completar a travessia da melhor forma possível. Apesar disso, ela garantiu o melhor tempo da América do Sul. “É uma prova que eu tenho colocado na minha cabeça que eu posso fazer entre 10 e 12 horas. Falam-se muito sobre recordes, mas eu estou muito tranquila, não quero colocar muita expectativa e de repente eu pegar uma correnteza contra, isso mentalmente complica. Nadar aproximadamente 34 km em 8, 10 ou 12 horas, que seja, é um desafio enorme”, destacou.

Ana Marcela Cunha largou nas primeiras horas do dia, saindo da praia de Dover, com temperaturas em torno de 19ºC na água e 23ºC no ambiente externo.