Desenvolvida primeira interface neural auditiva biônica na China
Inovação pode melhorar a compreensão auditiva em pacientes com perda neurossensorial.
Cientistas da universidade chinesa de Nankay desenvolveram a primeira interface neural biomimética do nervo auditivo do mundo, de acordo com a publicação do jornal Science and Technology Daily desta segunda-feira (13).
A interface compreende sistemas de comunicação direta entre o sistema nervoso e dispositivos tecnológicos que imitam princípios, materiais e a funcionalidade do tecido biológico natural.
Os implantes cocleares tradicionais - dispositivos eletrônicos de alta complexidade que substituem o ouvido interno danificado - captam os sinais sonoros e os convertem em impulsos elétricos.
No entanto, para que esses implantes transmitam as informações, é necessário que o paciente tenha o nervo auditivo preservado. Caso ele esteja ausente ou gravemente danificado, o implante coclear não funciona.
De acordo com o estudo, a interface permitirá que os implantes convencionais evoluam de dispositivos que apenas ajudam os usuários a ouvir sons para sistemas capazes de ajudá-los a compreender o que ouvem, marcando um importante avanço da restauração da percepção auditiva para a reconstrução da função auditiva. Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Materials.
O sistema desenvolvido imita a percepção do som e, utilizando os princípios de funcionamento das redes neurais do cérebro, seleciona e analisa os sons. Depois, converte as informações processadas em impulsos elétricos reconhecidos pelos nervos biológicos.
A conexão com o tecido nervoso vivo permite o ciclo completo que inclui a percepção do som, o processamento das informações e sua transmissão por meio do sistema nervoso.
A pesquisa, liderada pelo professor Xu Wentao, do Instituto de Informação Eletrônica e Engenharia Óptica da universidade de Nankay, afirma que a descoberta ajudará a desenvolver tecnologias eletrônicas de substituição e recuperação da audição que complementam os implantes cocleares tradicionais.
A publicação informa ainda que a perda auditiva neurossensorial afeta cerca de 3% da população mundial, mas ainda carece de soluções viáveis.
Por Sputinik Brasil