CIÊNCIA

Asteroide misterioso pode ser fonte de poeira cósmica

Pesquisadores descobrem micrometeoritos que sugerem a existência de um asteroide desconhecido.

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/07/2026 às 07:18
Micrometeorito analisado por cientistas pode indicar a existência de asteroide desconhecido. © Shutterstock/FOTODOM / Mikael Damkier

Micrometeoritos com composições químicas anômalas revelam a existência de um asteroide "desaparecido" que não aparece nas coleções de meteoritos conhecidos. Pesquisadores acreditam que ele poderá ter fornecido até 10% da poeira cósmica que atinge a Terra há mais de um milhão de anos.

Esses micrometeoritos caem continuamente sobre a Terra, formando uma camada invisível de poeira cósmica. Originados de asteroides e cometas, eles se transformam em esferas vítreas ao atravessar a atmosfera — e alguns carregam sinais químicos de um asteroide que não aparece em nenhuma coleção conhecida.

Pesquisadores descrevem esse corpo progenitor como "desaparecido", já que nenhum meteorito conhecido corresponde à sua composição. Para Matthias Van Ginneken, da Universidade de Kent, os micrometeoritos revelam material extraterrestre ausente das coleções tradicionais, ampliando o potencial científico dessa poeira.
Micrometeorito visto ao específico eletrônico de varredura
Micrometeorito visto ao específico eletrônico de varredura

Essas partículas preservam registros do ambiente cósmico e ajudam a rastrear detritos espaciais ao longo de milhares de anos; eles também oferecem faixas sobre a composição de asteroides próximos da Terra, sem depender de missões de coleta de amostras.

Segundo Van Ginneken, no entanto, ao menos um asteroide próximo fornece poeira ao planeta há mais de um milhão de anos.

Desde 2005, cientistas identificaram micrometeoritos com variações de isótopos de oxigênio, classificados como Grupo 4 e sem corpo parental conhecido. Em 2020, análises mostraram que essas características eram herdadas do asteroide original, não da fusão orgânica.

Outras anomalias apareceram, como pequenas esferas de poeira espacial em que o mineral olivina ficou concentrado em apenas um lado durante a queda pela atmosfera — um efeito semelhante ao de um líquido sendo empurrado para um canto quando algo freia de repente. Ao investigar essas características estranhas aconteciam juntas, os pesquisadores que elas se sobrepunham quase totalmente, fornecem que provavelmente vieram do mesmo tipo raro de asteroide.

A equipe compreende ainda ausência de magnetita e altos níveis de enxofre, características raras que levaram à criação do grupo de partículas de olivina ricas acumuladas em enxofre (SCumPo, na sigla em inglês). A falta de magnetita indica redutor de ambiente e possível asteroide rico em carbono; o enxofre refere-se a raros meteoritos condritos CY, de química incomum, também rico em carbono.

Imagens SEM BSE da esférula cósmica SCumPo WN-790
Imagens SEM BSE da esférula cósmica SCumPo WN-790

As situações de solicitação sugerem alteração por água incomum, reforçando a ideia de um asteroide extremamente raro que pode representar até 10% de todos os micrometeoritos conhecidos. Simulações indicam entrada atmosférica muito rápida, típica de asteroides próximos da Terra.

O corpo progenitor já pode estar catalogado entre os mais de 40 mil objetos próximos da Terra, mas apenas amostras diretas confirmariam sua identidade.