CIÊNCIA

James Webb pode ter detectado nova substância em Plutão e Titã

Estudo revela absorção de luz em mundos gelados do Sistema Solar.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/07/2026 às 06:48
Estudo do Telescópio James Webb revela possíveis novas substâncias em Plutão e Titã. © Foto / NASA/JHUAPL/SwRI

Planetologistas encontraram uma banda de absorção semelhante nas superfícies de Titã e Plutão que não corresponde aos espetros de gelo ou compostos orgânicos conhecidos.

Este espectro "ausente" pode indicar que em dois mundos de gelo muito diferentes do Sistema Solar existe uma classe comum, ainda desconhecida pela ciência, de substâncias químicas que absorvem luz formadas pelo frio extremo e radiação cósmica.

Cada elemento ou molécula no Universo absorve comprimentos de onda únicos de radiação eletromagnética. Portanto, uma das principais formas de os astrônomos estudarem mundos distantes – tanto dentro como fora do Sistema Solar – é examinando de perto a luz refletida e buscando por "linhas de absorção" escuras que correspondem aos comprimentos de onda de compostos químicos conhecidos, escreve LiveScience.

Por exemplo, o oxigênio molecular absorve a luz a 230 nanômetros, portanto, se o espetro eletromagnético de um exoplaneta distante tiver uma linha de absorção nessa frequência, os pesquisadores podem estar confiantes de que sua atmosfera contém oxigênio, de acordo com um estudo de 2021.

Em um novo estudo, publicado no servidor de pré-impressão arXiv, os pesquisadores analisaram dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) de Plutão e Titã, focando em comprimentos de onda muito pequenos que têm sido relativamente inexplorados até agora. Isso revelou uma linha de absorção específica em torno de 5,11 micrômetros nos espectros de ambos os mundos.

A equipe internacional de planetologistas, liderada por Bruno Bézard do Observatório de Paris, analisou dados do Telescópio Espacial James Webb e detectou um composto químico absorvente de luz nas superfícies de Plutão e Titã, cuja origem permanece desconhecida.

Os pesquisadores compararam os espectros obtidos com os de compostos químicos conhecidos e formas de gelo, mas não encontraram correspondências exatas. Bézard e seus colegas sugeriram que a pista misteriosa pode estar relacionada com a mesma substância ou substâncias semelhantes que se formam na atmosfera e depois se instalam na superfície.

Talvez em Titã e Plutão esta substância esteja em condições diferentes. As diferenças nas larguras de banda podem ser explicadas pela estrutura da matéria, sua interação com os compostos circundantes e os efeitos a longo prazo da radiação cósmica.