ASTRONOMIA

DF9 amplia mistério de galáxias com pouca ou nenhuma matéria escura

Galáxia a 67 milhões de anos-luz se junta a DF2 e DF4 em cadeia linear que desafia modelos sobre formação galáctica

Por Sputnik Brasil Publicado em 21/06/2026 às 05:35
DF9 aparece em imagens do Hubble em trilha de galáxias com DF2 e DF4 © Foto / NASA, ESA, and P. van Dokkum (Universidade de Yale)

A galáxia NGC 1052-DF9, localizada a 67 milhões de anos-luz, tornou-se um novo exemplo de sistema cujos movimentos podem ser explicados sem a presença de matéria escura.

O objeto se junta às galáxias DF2 e DF4, formando um trio considerado improvável em um Universo no qual quase todas as estruturas conhecidas dependem dessa substância invisível para existir.

As três galáxias fazem parte da mesma cadeia linear, alinhadas como “diamantes em um colar”, segundo os pesquisadores. A descoberta reforça previsões anteriores de que, caso DF2 e DF4 fossem de fato anômalas, outras galáxias ao longo da mesma trilha poderiam apresentar a mesma ausência de matéria escura, hipótese agora fortalecida pela DF9.

Para os astrônomos, o achado oferece uma oportunidade rara de investigar a origem desses sistemas. Segundo um portal especializado, Michael Keim, da Universidade de Yale, afirmou que DF2, DF4 e DF9 representam “exceções extraordinárias” em um cosmos dominado por matéria escura. De acordo com ele, as evidências indicam um evento violento comum que teria separado a matéria comum da matéria escura durante a formação dessas galáxias.

A matéria escura, embora invisível, é considerada essencial para explicar a gravidade observada no Universo. Mesmo com toda a matéria bariônica — estrelas, planetas, gás, poeira e buracos negros — ainda falta massa para justificar a força gravitacional que mantém as galáxias coesas. Por isso, os modelos cosmológicos dependem de halos de matéria escura como estruturas fundamentais na formação galáctica.

A surpresa teve início em 2018, quando Pieter van Dokkum identificou a DF2 com muito menos matéria escura do que o esperado. Em 2019, a DF4 reforçou a anomalia. Em 2022, ambas foram reconhecidas como parte de uma cadeia compacta de galáxias. Em 2025, estudos mostraram que todas se moviam de forma semelhante, um indício de origem compartilhada.

Com tamanho, brilho e aglomerados estelares parecidos, a DF9 passou a ser o alvo natural para testar essa hipótese. A explicação mais promissora envolve um cenário chamado “colisão de anãs-bala”. Nesse tipo de encontro frontal entre duas galáxias anãs, estrelas e halos de matéria escura atravessariam uns aos outros, enquanto o gás, que colide e desacelera, ficaria para trás.

Essa região rica em matéria comum, mas pobre em matéria escura, poderia então formar novas estrelas e pequenas galáxias desprovidas de halos escuros, como indicam as simulações.

Para os cientistas, a existência de uma linha inteira de galáxias sem matéria escura é um resultado considerado fascinante, capaz de restringir teorias sobre a natureza dessa substância misteriosa. Van Dokkum afirmou que a descoberta reforça a ideia de que a matéria escura se comporta como uma entidade física real, e não como um efeito de teorias alternativas de gravidade, especialmente na escala das galáxias anãs, onde o debate é mais intenso.

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