COPA DO MUNDO 2026

Irã estreia sob tensão e empata com a Nova Zelândia pelo Grupo G

Partida em Los Angeles terminou 2 a 2; seleções somam um ponto, assim como Bélgica e Egito

Por Agência Brasil Publicado em 16/06/2026 às 06:45
Irã e Nova Zelândia empataram por 2 a 2 na estreia pelo Grupo G da Copa do Mundo 2026

Após meses de tensões geopolíticas, incertezas sobre a participação e dificuldades de acesso aos Estados Unidos, o Irã fez sua estreia na Copa do Mundo em solo norte-americano. Nesta segunda-feira (15), a seleção asiática empatou por 2 a 2 com a Nova Zelândia, em Los Angeles, pelo Grupo G da competição.

Pelo número de gols marcados, iranianos e neozelandeses aparecem na liderança da chave, que também conta com Bélgica e Egito. As quatro seleções têm um ponto. Mais cedo, nesta segunda, egípcios e belgas empataram por 1 a 1 em Seattle. As equipes da Ásia e da Oceania buscam uma classificação inédita à segunda fase do Mundial.

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O Irã volta a campo contra a Bélgica, novamente em Los Angeles, às 16h (horário de Brasília) de domingo (20). No mesmo dia, às 22h, a Nova Zelândia enfrenta o Egito em Vancouver, no Canadá.

Crise extracampo

Desde o jogo contra os Estados Unidos (EUA) na Copa do Mundo da França, há 28 anos, uma partida da seleção iraniana não era cercada por tanta expectativa. O interesse era motivado menos pela qualidade do espetáculo e mais pelo contexto da guerra com os norte-americanos. Os Estados Unidos são sede dos três compromissos do Irã na fase de grupos do Mundial. O pedido para que os duelos fossem transferidos ao México, que também recebe a competição, não foi aceito.

Apesar do acordo de cessar-fogo por 60 dias anunciado no domingo (14), o conflito já havia afetado o ambiente esportivo. Jogadores, dirigentes e integrantes da comissão técnica do Irã enfrentaram problemas para obter visto de entrada nos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a afirmar, em março, que a seleção asiática era "bem vinda" à Copa, mas que a participação do país não seria "apropriada".

A crise política também pode ter impactado a convocação. O atacante Sardar Azmoun, terceiro maior artilheiro da seleção, ficou fora do Mundial, segundo a versão oficial, por ter descumprido prazos para a obtenção de visto. Em março, ele apareceu em uma foto ao lado do primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e dirigente do Shabab Al-Ahli, clube que defende. O problema é que o país é aliado dos Estados Unidos.

Os iranianos estão concentrados em Tijuana, no México. A seleção recebeu autorização para entrar em território estadunidense um dia antes das partidas da fase de grupos, conforme o Departamento de Segurança Interna do país-sede do Mundial. A equipe chegou a Los Angeles no fim da tarde de domingo e terá de deixar os Estados Unidos nesta terça-feira (16).

Horas antes do início do jogo, integrantes da comunidade persa de Los Angeles se reuniram em frente ao palco da partida para protestar contra o governo iraniano. Embora algumas pessoas também estivessem no local para apoiar a equipe, outras defendiam que a seleção fosse retirada da Copa e consideravam os atletas coniventes com o atual regime.

Os manifestantes exibiam a bandeira com um leão e um sol ao centro, que deixou de ser oficial após a Revolução Islâmica de 1979. Por ser considerada um símbolo político, ela costuma ser proibida pela Fifa, mas muitos torcedores conseguiram entrar com ela no estádio.

Duelo movimentado

Dentro de campo, o primeiro tempo em Los Angeles foi movimentado, com as duas seleções procurando o gol a todo momento. Foram 16 finalizações e 28 erros forçados — bolas perdidas a partir de ações defensivas do adversário — nos 45 minutos iniciais.

A Nova Zelândia saiu na frente aos seis minutos. Elijah Just tentou uma tabela na entrada da área com o também meia Sarpreet Singh. A bola ficou com o atacante Chris Wood, que dominou e devolveu para Just finalizar sem chances para o goleiro Alireza Beiranvand.

Mesmo em vantagem, a seleção da Oceania manteve a postura ofensiva, mas também deu espaços para o Irã atacar em velocidade. O primeiro susto dos asiáticos veio aos 22 minutos, com Medhi Taremi. Em jogada individual, o atacante carregou a bola desde o meio-campo e chutou da entrada da área, acertando a trave esquerda.

Dez minutos depois, o Irã empatou. O lateral Ramin Rezaeian dominou pela ponta direita e tabelou com o meia Saman Ghoddos, que devolveu na pequena área. O atacante Shahriyar Moghanlou se antecipou para concluir e foi travado pelo zagueiro Finn Surman, mas Rezaian ficou com a sobra e mandou para as redes.

A virada quase veio nos acréscimos. Aos 50 minutos, após cobrança de falta de Rezaeian da intermediária, o zagueiro Ali Nemati cabeceou no canto do goleiro Max Crocombe. O gol, porém, foi anulado por impedimento claro do defensor iraniano.

As equipes voltaram do intervalo com a mesma postura ofensiva. Mais uma vez, a Nova Zelândia marcou. Aos nove minutos, Just puxou contra-ataque pelo meio, tabelou com Wood e finalizou para recolocar a seleção da Oceania em vantagem.

A liderança neozelandesa durou pouco. Nove minutos depois, Rezaeian fez cruzamento preciso pela direita, e o meia Mohammad Mohebi escorou de cabeça, sem chances para Crocombe, deixando tudo igual novamente.

Com as substituições, o ritmo da partida caiu sensivelmente. Irã e Nova Zelândia seguiram buscando o ataque, mas já não conseguiram manter a mesma qualidade na construção das jogadas. No fim, o empate prevaleceu.