FUTEBOL

Camisa da seleção haitiana para a Copa do Mundo foi considerada excessivamente política, ecoando as críticas recebidas pelo uniforme olímpico de inverno

Por Por Colleen Barry, repórter de moda da Associated Press Publicado em 11/06/2026 às 14:46
O meio-campista haitiano Dominique Simon reage após uma tentativa frustrada de gol durante o segundo tempo de um amistoso internacional de futebol contra o Peru, na sexta-feira, 5 de junho de 2026, em Miami. AP/Rebecca Blackwell

MILÃO (AP) — O Haiti foi obrigado a mudar o design de sua camisa para a Copa do Mundo depois que a FIFA a considerou muito política, apenas alguns meses depois de o país caribenho ter que alterar seus uniformes para os Jogos Olímpicos de Inverno .

A camisa, da fabricante colombiana de artigos esportivos Saeta, originalmente trazia em sua parte frontal uma representação da batalha final da Guerra da Independência do Haiti, em 1803. A imagem foi rejeitada durante o processo de aprovação da FIFA.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, a Saeta afirmou que cumpriria a proibição, embora o design "não tivesse a intenção de ser uma declaração política", mas sim uma "homenagem aos homens e mulheres que contribuem diariamente para o futuro do Haiti".

A camisa apresentava a cor azul, em referência ao mar, e o vermelho, que simbolizava a “força e a paixão” da nação, segundo a fabricante de artigos esportivos. Os jogadores usaram a camisa, agora proibida, em um amistoso contra o Peru na semana passada. O modelo original está atualmente esgotado na loja online da SaetaUSA.

Da mesma forma, o Comitê Olímpico Internacional exigiu a remoção da imagem do pai fundador haitiano Toussaint Louverture dos uniformes da equipe do Haiti na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, alegando que ela violava as regras olímpicas que proíbem o simbolismo político.

O meio-campista peruano Jesús Pretell (6) disputa a bola com o meio-campista haitiano Dominique Simon durante o segundo tempo de um amistoso internacional de futebol, na sexta-feira, 5 de junho de 2026, em Miami. (Foto AP/Rebecca Blackwell, Arquivo)

O Haiti conquistou a independência em 1804 e é amplamente considerado a primeira nação independente do mundo, fundada por pessoas anteriormente escravizadas após uma revolta de escravos bem-sucedida.

A estilista ítalo-haitiana Stella Jean, responsável pelo design dos uniformes olímpicos, apresentou uma solução criativa: pintar por cima da figura, deixando apenas um cavalo contra um fundo de folhagem tropical. Os designs fizeram tanto sucesso que Jean posteriormente criou uma versão de produção com a imagem original de Louverture.

“De qualquer forma, o Haiti deve estar estabelecendo um recorde: duas repreensões das mais altas autoridades esportivas internacionais em apenas alguns meses”, disse Jean à Associated Press na quinta-feira.

O Haiti estreia na Copa do Mundo neste sábado contra a Escócia, em Foxborough, Massachusetts, depois enfrenta o Brasil, pentacampeão mundial, no dia 19 de junho, na Filadélfia, e o Marrocos, no dia 24 de junho, em Atlanta.